segunda-feira, 16 de julho de 2018

Agricultura Orgânica ou Convencional



Mito : O sistema de produção orgânico é caro e mais trabalhoso que o cultivo convencional  

  Apesar da agricultura orgânica só ter vantagens em relação ao sistema de produção convencional (uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos e outras práticas), foram criados alguns mitos. A seguir comentaremos sobre os mitos e verdades sobre a agricultura orgânica e agricultura convencional ou "moderna".
Este mito foi criado e divulgado pelo mundo por interesses de inúmeras empresas, visando a venda de fertilizantes químicos e agrotóxicos aos produtores. É muito comum os vendedores empurrarem aos produtores insumos, muitas vezes, sem necessidade, tornando-os dependentes destes que são caros, pois a grande maioria são importados e, o que é pior, aumentando o custo de produção e contaminando o meio ambiente. Trabalho de pesquisa realizado pela Epagri em todo o Estado de Santa Catarina e em outros estados tem comprovado que este mito criado não é verdadeiro. Pelo contrário, os resultados de pesquisa obtidos evidenciaram que o cultivo orgânico de hortaliças é mais barato e menos trabalhoso e, o que é melhor, torna o produtor menos dependente de insumos, pois pode prepará-los na própria propriedade e, o mais importante, sem riscos ao produtor, consumidor e meio ambiente e, ainda proporcionando maior lucro devido ao valor agregado dos alimentos orgânicos.

Resultados de pesquisa 
Ainda nos dias atuais, grande número de pessoas ligadas à agricultura sustentam a idéia de que não é possível produzir alimentos sem o uso de adubos químicos solúveis e agrotóxicos. A literatura existente, embora ainda escassa, tem mostrado que a crença de que a agricultura orgânica é cara e mais exigente em mão-de-obra não é verdadeira. A Epagri, por meio das Estações Experimentais em todo o Estado de Santa Catarina, tem contribuído com trabalhos de pesquisa visando a produção de hortaliças no sistema orgânico com resultados promissores. A Estação Experimental de Urussanga, SC, a partir de 2000, concentrou esforços em pesquisas com base agroecológica em hortaliças, especialmente no cultivo de batata e,posteriormente, nas culturas de cebola, tomate, repolho, couve-flor, brócolis, cenoura, alface, beterraba, batata-doce e feijão-de-vagem, com o objetivo de verificar a viabilidade técnica e econômica do cultivo orgânico. A seguir, serão apresentados os resultados de destaque obtidos na batata, cebola e tomate, as hortaliças mais exigentes em adubação e mais sensíveis às pragas e doenças e, por isso, as espécies que apresentam maior custo de produção com insumos.
Obs.: o custo de produção com adubação e tratamentos fitossanitários nos cultivos da batata, tomate e cebola foram calculados com base nos preços destes insumos no final de 2008.

Cultivo de Batata 
Custo dos insumos: no cultivo convencional, em um sistema de produção relativamente tecnificado, são realizadas, normalmente, 12 a 15 pulverizações, incluindo fungicidas de contato e sistêmicos, além de inseticidas, quando necessário, com um custo aproximado de R$1.050,00/ha, enquanto no sistema orgânico 10 pulverizações com calda bordalesa (0,5%) para o manejo de doenças foliares e três aplicações com óleo vegetal de nim (0,5%) para o manejo de insetos, totalizando em torno de R$ 600,00/ha, normalmente, são suficientes durante o ciclo da cultura. Em relação à adubação, o custo no sistema orgânico é de cerca de 250,00/ha no caso de o produtor adquirir o esterco de aves, ao passo que no cultivo convencional alcança R$ 1.180,00/ha. Portanto, o custo de produção dos insumos (adubos e tratamentos fitossanitários), que pode representar até 25% do custo total da batata, é cerca de apenas uma terça parte no sistema orgânico, quando comparado ao convencional.

Figura 1. Cultivo orgânico de batata em propriedade de agricultor, em Treze de Maio, SC.

Exigência em mão-de-obra: não observou-se diferenças significativas quanto à exigência de mão-de-obra nos dois sistemas de produção. É importante, tanto no sistema de produção orgânico como no convencional, escolher áreas pouco inçadas para evitar o aumento no número de capinas. Normalmente, uma capina por ocasião da amontoa, é suficiente para o bom desenvolvimento da cultura. Em áreas muito inçadas recomenda-se a rotação de culturas com espécies de alta produção de massa verde tais como as leguminosas no verão e as gramíneas no inverno. A rotação e, especialmente, a consorciação de culturas com culturas como milho e mucuna é uma ótima opção para áreas muito inçadas (Figura 2).

Figura 2. Consórcio milho x mucuna: ótima opção para rotação e consorciação por possuírem resistência às pragas e doenças, grande capacidade de melhorar a fertilidade e cobrir rapidamente o solo, inibindo a presença de plantas espontâneas, fixando o nitrogênio do ar e reciclando nutrientes do solo devido ao sistema radicular profundo.
  
Cultivo de Tomate
Custo dos insumos: o cultivo de tomate a céu aberto, devido à maior susceptibilidade a doenças e pragas, tem sido apontado como o maior desafio no sistema de produção orgânico. A doença da parte aérea denominada requeima (Phytophthora infestans) pode arrasar uma lavoura em poucos dias, caso não seja tratada com produtos eficientes. Normalmente, no sistema convencional de produção de tomate, são recomendadas em torno de 15 pulverizações para o controle de doenças foliares e de insetos-pragas (broca-pequena, traça e vaquinha), totalizando o custo de cerca de R$ 1.360,00/ha. Por outro lado, o custo no cultivo orgânico com tratamentos fitossanitários para o manejo das doenças
foliares com calda bordalesa (0,5%) e de insetos com dipel e óleo de nim (0,5%) pode alcançar R$ 1.000,00/ha. Em relação à adubação, o custo no sistema convencional e orgânico alcançou R$ 3.000,00 e R$ 1.100,00/ ha, respectivamente. Portanto, os gastos com insumos (adubos e tratamentos fitossanitários) no cultivo orgânico representam a metade em relação ao sistema convencional.
Exigência em mão-de-obra: a exemplo da batata, também no cultivo de tomate, não há exigências diferentes de mão-de-obra entre os dois sistemas de produção. No entanto, em relação à implantação da lavoura, no sistema de produção orgânico a exigência pode ser menor, pois não há o preparo do solo e as capinas são feitas apenas na linha de plantio. Recomenda-se o cultivo mínimo das mudas de tomate sobre adubos verdes de inverno (Figura 3), mantendo-se apenas a linha de plantio no limpo e as entrelinhas, quando necessário, roçadas. Mantendo-se uma cobertura no solo, não há infestação de plantas espontâneas, evita-se a erosão do solo, os nutrientes são menos lixiviados (a fertilidade é mais duradoura) e, ainda há o melhoramento das condições físicas, químicas e biológicas do solo e um acréscimo no teor de matéria orgânica no solo.

Figura 3. Cultivo mínimo de tomate no final do inverno sobre adubos verdes (aveia + ervilhaca) semeados no outono.

Cultivo de Cebola 

Custo dos insumos: a cultura da cebola, a exemplo da batata e do tomate, também é uma das mais exigentes em insumos (adubos e tratamentos fitossanitários). As doenças da parte aérea (sapeco e mancha-púrpura) e o tripes (inseto-praga) são os que mais limitam a produção de cebola, em especial o cultivo orgânico. Ao se analisar o custo com insumos, verifica-se, a exemplo das culturas da batata e do tomate, menor gasto no cultivo orgânico. No sistema de produção convencional foram utilizadas em torno de 15 pulverizações para o controle de doenças foliares associadas com três aplicações de inseticidas para o controle de tripes, totalizando em torno de R$ 760,00/ha, enquanto no orgânico foram necessárias em torno de 10 pulverizações com calda bordalesa (0,5%) para o manejo de doenças e duas pulverizações com óleo de nim (0,5 %) para o manejo de tripes, totalizando R$ 540,00/ha. Em relação à adubação no sistema convencional o custo chegou a R$ 900,00/ha, enquanto no orgânico alcançou R$750,00/ ha. Portanto, o custo dos insumos (adubos e tratamentos fitossanitários) no cultivo orgânico é de 30% a menos em relação ao sistema convencional.

Figura 4. Cultivo orgânico de cebola

Exigência em mão-de-obra: tendo em vista que no cultivo orgânico de cebola é proibido o uso de herbicidas, é muito importante escolher áreas pouco inçadas para evitar o aumento no número de capinas. Em áreas muito inçadas recomenda-se a rotação de culturas com espécies de alta produção de massa verde tais como as leguminosas no verão e as gramíneas no inverno. A rotação e consorciação de culturas com culturas como milho e mucuna é uma ótima opção para áreas muito inçadas. O cultivo mínimo de cebola sobre áreas semeadas com adubos verdes de inverno tais como a aveia (Figura 5), ervilhaca e adubos de verão como a mucuna ou até mesmo o consórcio milho x mucuna (Figura 2), também são ótimas opções, pois além de inibirem as plantas espontâneas, reduzindo o número de capinas, melhoram a vida e fertilidade do solo e, ainda diminui a erosão e mantém a umidade do solo.

Figura 5. Cultivo mínimo de hortaliças sobre cobertura de aveia

Manejo de doenças e pragas
Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptadas, solos degradados e adubações desequilibradas. Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras (Figura 6), aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Obs.: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.
Calda bordalesa: A calda possui baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais. O cobre presente na calda bordalesa é pouco tóxico para a maioria dos pássaros, abelhas e mamíferos, porém é tóxico para peixes. A aplicação de caldas não tem o objetivo de erradicar os insetos e os microrganismos nocivos, mas proteger as plantas e ativar o seu mecanismo de resistência. Essas caldas podem ser preparadas na propriedade, reduzindo significativamente o custo de produção. A calda bordalesa é o resultado da mistura simples de sulfato de cobre e cal virgem diluídos em água. É recomendada como fungicida para manejo preventivo de doenças fúngicas e bacterianas e também pode atuar como repelente de muitos insetos.
Obs.: As doenças de hortaliças geralmente ocorrem em condições de alta umidade do ar. Portanto, quando as condições do ambiente forem favoráveis às doenças, devem-se fazer aplicações semanais. Caso contrário, pulverizar a cada quinzena ou a cada mês. Embora a calda bordalesa seja tolerada no cultivo orgânico, é muito importante respeitar o prazo de carência, pois é um fungicida; após a última aplicação, fazer a colheita dos produtos somente depois de 7 dias.
Vantagens:• Forma camada protetora contra doenças e pragas;• Possui alta resistência à lavagem pelas águas de irrigação ou chuvas;• Aumenta a resistência da planta à insolação;• Promove a resistência da planta e dos frutos; • Melhora a conservação e a regularidade de maturação e aumenta o teor de açúcares;• Tem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais domésticos;• É um dos fungicidas mais baratos e eficientes (Figura 7).

Figura 6. Preparo da calda bordalesa na Estação Experimental de Urussanga
(para ver, passo a passo, como preparar e os principais cuidados para obter a calda bordalesa, consultar matéria antiga já postada neste blog em 06 de janeiro de 2011)

  Figura 7. Tratamento fitossanitário do tomateiro na Estação Experimental de Urussanga:
sem calda (à esquerda) e com calda (à direita)

Efeito do composto orgânico na fertilidade do solo 

O uso de composto no cultivo orgânico de hortaliças na Estação Experimental de Urussanga (Figura 8), durante o período de 2002 a 2007, melhorou consideravelmente a fertilidade do solo, quando comparado ao sistema convencional (uso de adubos químicos), conforme análise do solo realizada anualmente. Na média dos três últimos anos (2005,2006 e 2007), os valores do pH (índice SMP), pH (água), P, K, matéria orgânica, Ca e Mg encontrados no solo, sob cultivo orgânico, foram superiores aos obtidos no cultivo convencional. Pelos resultados obtidos, o pH no cultivo orgânico manteve-se estável na média dos últimos três anos, ao contrário do sistema convencional, que necessitou novamente em 2007 de correção da acidez do solo (a primeira calagem foi efetuada em 2001). O uso de compostagem no cultivo orgânico (matéria orgânica estabiliza) explica esses resultados.

Figura 8. Composto orgânico produzido na Estação Experimental de Urussanga

Um composto de qualidade satisfatória deve conter: 1,0% de Nitrogênio; 0,6% de Fósforo e 0,8%de Potássio. O composto orgânico obtido na Estação Experimental de Urussanga (Capim elefante anão + cama de aviário) alcançou até: 2,9% de Nitrogênio; 3,2% de Fósforo e 2,6% de Potássio. Obs.: a matéria mais antiga postada neste blog em 29 de dezembro de 2010 mostra, passo a passo, como fazer o composto orgânico e os principais cuidados para obter um adubo natural de ótima qualidade.

Conclusões gerais
O cultivo orgânico é uma boa opção de renda aos produtores, pois além de agregar maior valor aos produtos através do sistema de produção, reduz o custo de produção com insumos que podem ser preparados na propriedade, proporcionando maior autonomia do produtor, que não fica dependente de insumos importados cada vez mais caros. É importante destacar que no período de 12 meses (junho/2007 a maio/2008), os fertilizantes e os agrotóxicos que o Brasil importa, em sua grande maioria (cerca de 70%) tiveram um aumento de 120% e 70%, respectivamente.
Convém destacar, ainda, que, havendo na propriedade a integração da agricultura com pecuária, o custo do adubo no sistema orgânico é ainda mais barato e, o mais importante, ainda melhora as condições físicas, químicas e biológicas do solo, tornando a fertilidade mais duradoura.Essa vantagem, ao longo dos anos, poderá ser ainda maior, pois no cultivo orgânico a fertilidade do solo é mais duradoura em relação ao convencional.
Ao se comparar o uso da mão de obra nos sistemas de produção, observa-se que, para as culturas estudadas, praticamente não há diferenças significativas quando são aplicadas todas as técnicas recomendadas. Atualmente existe uma resistência por parte dos agricultores em utilizar composto orgânico devido ao maior uso de mão-de-obra no preparo e aplicação quando comparado à adubação química. No entanto, os resultados obtidos na Estação Experimental de Urussanga têm mostrado que a quantidade necessária de composto utilizado no cultivo orgânico é maior apenas no início. Posteriormente, seu uso é cada vez menor por causa da maior estabilidade do composto e menor lixiviação quando comparado ao sistema convencional, além de melhorar a vida do solo e manter por mais tempo a fertilidade em relação a macro e micronutrientes. Além disso, o uso do composto orgânico corrige naturalmente a acidez do solo, ao passo que no sistema convencional, periodicamente, poderá haver necessidade de aplicação de calcário demandando mão-de-obra e recursos financeiros. Caso o composto orgânico seja aplicado em quantidade excessiva, sem análise do solo e do composto, poderá haver também salinização do solo e contaminação do meio ambiente. No entanto, convém ressaltar que, mesmo utilizando o composto orgânico,este deve ser aplicado com base na análise do solo, pois tanto a falta como o excesso podem desequilibrar o solo e as plantas, favorecendo a ocorrência de doenças e pragas e afetando a qualidade das hortaliças.






sexta-feira, 29 de junho de 2018

Insetos Benéficos para a Agricultura



Quando o homem surgiu na face da terra, os insetos já habitavam a terra há milhões de anos. Muitos destes insetos causam prejuízos ao homem e animais, sejam através dos danos às plantações, ou através da transmissão de doenças. Apesar destes insetos prejudiciais terem mais atenção, a maioria das espécies são benéficas para o homem e meio ambiente.
Muitos insetos, tais como as abelhas, vespas e borboletas, ajudam na polinização das plantas; a polinização é uma espécie de simbiose que dá às planta a capacidade de se reproduzirem com mais eficiência, enquanto que os polinizadores ficam com o néctar e pólen. Alguns insetos também produzem substâncias úteis para o homem, como o mel, a cera, a laca e a seda. As abelhas e os bichos-da-seda têm sido criados pelo homem há milhares de anos e pode dizer-se que a seda afetou a história da humanidade, através do estabelecimento de relações entre a China e o resto do mundo. Em alguns lugares do mundo, os insetos são usados na alimentação humana, enquanto que noutros são considerados tabu.       
   Muitos insetos são detritívoros, alimentando-se de animais e plantas mortas, contribuindo assim para remineralização dos produtos orgânicos. Embora a maior parte das pessoas não saiba, provavelmente a maior utilidade dos insetos é que muitos deles são insetívoro, ou seja, alimentam-se de outros insetos, ajudando a manter o seu equilíbrio na natureza. Para qualquer espécie de inseto-praga existe uma espécie de vespa ou parasitóide ou predadora dela.
Em função da importância dos insetos benéficos para o homem e meio ambiente, o uso de inseticidas tem o efeito contrário ao desejado, uma vez que matam, não só os insetos-pragas, mas também os seus inimigos e os demais insetos que são benéficos para o homem.

Manejo de insetos-pragas com auxílio dos inimigos naturais

Os inimigos naturais são insetos, fungos, bactérias, vírus, nematóides,répteis, aves e mamíferos pequenos. Os animais que comem insetos na forma larval e adulta não são poucos.Todas as pragas das culturas têm seus inimigos naturais que as devoram ou destroem. Comer e ser comido, este é o sistema da natureza. Se uma espécie aumentar num ecossistema natural, seu "inimigo natural" igualmente aumentará, por causa das condições nutricionais favoráveis. Mas se exterminarem esta espécie, aquele também desaparecerá, por não encontrar mais comida em fartura. Daí a importância de diversificar os cultivos (rotação, sucessão e consorciação de culturas) e preservar refúgios naturais como matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para manutenção do equilíbrio na natureza. Entre as espécies de plantas que servem de refúgio aos inimigos naturais, destacam-se: o menstrato (Ageratum conyzoides), a beldroega (Portulaca oleracea), o caruru (Amaranthus viridis), o nabo forrageiro (Raphanus raphanistrum) e o sorgo granífero (Sorghum bicolor). No caso do sorgo, suas panículas em flor favorecem o abrigo e a reprodução de insetos como percevejo (Orius insidiosus), que é predador de lagartas, ácaros e tripes da cebola. Há, no entanto, plantas que são desfavoráveis à preservação e ao aumento de inimigos naturais das pragas, como mamona, capim, grama-seda, capim-amargoso, guanxuma, tiririca, picão-branco e carrapicho-carneiro. Entre os insetos, os inimigos naturais mais conhecidos são as joaninhas (Figura 1) e as vespinhas que parasitam especialmente pulgões (Figura 2), cochonilhas e lagartas.

Figura 1. Joaninha, um dos mais conhecidos predadores de pulgões

 Figura 2. Ataque intenso de pulgões em folha de couve

A importância das abelhas e outros insetos na polinização
    As abelhas podem ser indicadores biológicos do equilíbrio ambiental, muito útil no esforço da conservação, da biodiversidade e na exploração sustentável do meio ambiente. É na polinização das flores que as abelhas (Figura 3) mais contribuem, dando origem aos frutos de inúmeras espécies e chegando a aumentar a produtividade de plantas cultivadas em até 500%.
As flores são os órgãos reprodutivos das plantas, cujo objetivo é desenvolver as sementes que darão início a uma nova geração de plantas. Quando os óvulos presentes nas flores são fecundados, ou seja, quando a eles se unem as células masculinas, substâncias químicas são liberadas para estimular o crescimento do fruto e das sementes. Como a polinização é uma etapa anterior à fecundação, sem a primeira não há a possibilidade da segunda e, nem tampouco, do desenvolvimento de frutos e sementes. A polinização é, portanto, um momento crítico na reprodução sexual das plantas.
Mas afinal, o que é a polinização? a polinização nada mais é que a transferência do pólen da estrutura reprodutiva masculina de uma flor (estame), para a estrutura reprodutiva feminina (o pistilo) da mesma flor ou de outras flores. A transferência do pólen da antera para o estigma poderá ocorrer pela ação da gravidade, do vento, da água ou de animais. Os animais que realizam essa transferência são conhecidos como polinizadores e podem ser insetos (abelhas, besouros, moscas, borboletas, vespas e mariposas), aves (beija-flores e periquitos) e, mamíferos de pequeno porte (morcegos e roedores). Dentre esses animais, as abelhas merecem destaque como polinizadoras porque como dependem das plantas para a alimentação tanto de seus adultos quanto das crias, elas visitam constantemente as flores; elas possuem pilosidade por todo o corpo, o que facilita a aderência e o transporte de grãos de pólen; e apresentam uma enorme diversidade de espécies.

 Figura 3. Abelha visitando uma flor

A polinização ainda pode ser de dois tipos: autopolinização e polinização cruzada. A autopolinização ocorre quando uma flor recebe o seu próprio pólen ou o pólen de outras flores da mesma planta. Já a polinização cruzada irá ocorrer quando os grãos de pólen vierem de flores de outras plantas da mesma espécie. Flores de espécies diferentes não aceitam o pólen uma da outra, isto é, o pólen de uma espécie qualquer não consegue fecundar o óvulo de uma outra espécie. Mas certas plantas também não aceitam o seu próprio pólen (autoincompatibilidade) ou apresentam mecanismos que dificultam a ocorrência da autopolinização. Plantas que impedem a autopolinização são totalmente dependentes dos polinizadores para produzirem seus frutos, ou seja, sem polinizador não há sementes nem frutos. Isso ocorre no maracujá, no pepino e no mamoeiro, por exemplo. Já as plantas que dificultam a ocorrência desse tipo de polinização são beneficiadas com a visita de seus polinizadores, como a soja, a laranjeira, a tangerina, o feijão, o café, o melão e o morangueiro. Esse benefício, geralmente, se traduz em um maior vigor e maior número de sementes, e em maior tamanho e peso dos frutos. As abelhas cujo manejo para a polinização é comum em boa parte do mundo são: as abelhas de mel (Apis mellifera) nas mais diversas culturas; as mamangavas (especialmente Bombus terrestris) manejadas, de modo particular, no cultivo de solanáceas, e, em especial, em plantações de tomate; as abelhas carpinteiras (Xylocopa sp), no maracujá; diversas espécies do gênero Osmia, em plantações de maçã e outras frutíferas. 

As mudanças que o homem têm imposto ao seu ambiente vem reduzindo a abundância de abelhas silvestres, colocando em risco a produção de alimentos e a preservação de muitos ambientes naturais e das espécies que neles habitam. É urgente que se reconheça as abelhas e outros animais polinizadores como essenciais para a sustentabilidade da produção mundial de alimentos. 
Segundo pesquisadores, a produção de 2/3 da alimentação humana depende, direta ou indiretamente da polinização por insetos e, de acordo com estimativas feitas em 1998, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), há no mundo uma perda de U$54 bilhões devido a deficiência na polinização das plantas cultivadas. 

A importância das abelhas na produção do mel
Além de realizarem um serviço fantástico para o homem e a natureza polinizando as flores, as abelhas ainda produzem o mel, que é um bactericida natural que rejuvenesce as células e prolonga a vida humana. O mel tem múltiplas aplicações e, além disso, é um ótimo alimento e, bem digerido facilita a digestão, é bom fortificante para pessoas de qualquer idade e, é rico em proteínas. As propriedades medicinais do mel apresentadas a seguir constituem apenas referências e não recomendações de utilização. A automedicação constitui-se numa prática comum, mas não recomendável. Algumas propriedades curativas do mel (Fonte: Bruning (1986):
• Garganta infeccionada: fazer gargarejo de água com mel;
• Tosse: pode ser controlada com chá feito com limão cortado com casca e tudo, dois dentes de alho
e bastante mel (toma-se quente);
• Febre: mesma receita da tosse ou misturar mel, limão e água (pode-se tomar frio);
.• Queimaduras e feridas: colocar mel em cima. O mel é excelente bactericida;
• Esgotamento: o mel dá muita energia. Tomar algumas colheradas por dia, puro ou com água;
• Prisão de ventre: o mel é suave laxante. Dissolver uma colher de mel em um copo de água e tomar;
• Memória fraca: o mel fortifica o cérebro, por isso deve-se comer mel freqüentemente;
• Úlcera: o mel é um bom cicatrizante. Tomar diversas vezes ao dia,dissolvido em água;
• Infecções: o mel é comprovadamente bactericida (mata germes e bactérias);
• Nervosismo: o mel é um suave calmante.Comer ou tomar com água antes de deitar;
• Problemas cardíacos: o mel fortifica o coração;
• Furúnculos: misturar farinha de trigo com mel e aplicar em cima do furúnculo;
• Insônia: para combatê-la, tomar mel com água ao deitar;
• Anemia: o mel é rico em ferro. Comer ou tomar com água;
• Raquitismo infantil: não deixe faltar mel para as crianças, adoçando as mamadeiras com mel;
• Cãibras: comer mel todos os dias torna os músculos fortes e resistentes;
• Criança que molha a cama (enurese): pequena colher de mel antes de deitar;
• Falta de apetite: comer mel puro ou tomar com água habitualmente;
• Cansaço: o mel acaba com o cansaço. Comer e tomar com água habitualmente;
• Sinusite e nariz entupido: comer mel puro ou tomar com água habitualmente;
• Gripe: o mel combate poderosamente a gripe. Fazer um chá com mel,limão e alho;
• Eczemas: aplicar mel em cima;
• Longa vida: o mel rejuvenesce, por isso faz a pessoa alcançar longa vida;
• Ressaca de bebida alcoólica: comer bastante mel. O efeito da embriaguez logo passa.






sábado, 16 de junho de 2018

Reconhecimento, Danos e Controle Ecológico de Insetos-Pragas



No cultivo orgânico, as pragas e doenças surgem como um sinal de desequilíbrio que são as verdadeiras causas dos problemas. Em solos desequilibrados nos aspectos químico, físico e biológico podem ocorrer, eventualmente, durante o ciclo das hortaliças (desde a emergência até à colheita), doenças, pragas e plantas espontâneas que prejudicam o crescimento das plantas e a qualidade do produto. O controle dos efeitos, mesmo com métodos naturais, causa desarmonia, pois, além de exterminar as pragas, elimina também seus inimigos naturais e outros insetos benéficos (abelhas, joaninhas, mamangava, minhocas, entre outros). Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis. Os produtos alternativos, mesmo que não causem maiores riscos ao homem e ao meio ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários.
Além dos grilos, paquinhas, lagarta rosca, vaquinhas, pulgões e lesmas, pragas tratadas anteriormente (ver matéria postada neste blog – parte III), também a curuquerê-da-couve, broca das cucurbitáceas e do tomateiro, traça-do-tomateiro e traça-das-crucíferas, lagarta-do-cartucho, , mosca-branca, mosca minadora, tripes, ácaros e formigas cortadeiras, quando em ambiente desequilibrados, podem causar prejuízos aos produtores, especialmente no cultivo de hortaliças.

• Curuquerê-da-couve (Ascia monuste orseis): o adulto é uma borboleta com asas branca-amareladas e as bordas marrom-escuras, mede cerca de 5 cm de envergadura. As lagartas bem desenvolvidas medem de 3 a 3,5 cm de comprimento, com coloração cinza-esverdeada, sendo a cabeça de cor escura. A lagarta pode permanecer se alimentando entre 20 e 25 dias. Danos: as lagartas são bastante vorazes, alimentando-se das folhas (Figura 1).

Figura 1. Ataque de lagartas em couve

Manejo: recomenda-se o controle biológico com a bactéria Bacillus thurigiensis, vendido comercialmente como Dipel e outros produtos; uso de plantas medicinais repelentes à borboleta, consorciado ou em torno dos cultivos, tais como sálvia, hortelã e alecrim. O preparado com sálvia também tem boa eficiência no manejo da praga. Modo de preparar: derramar 1 L de água fervente sobre 2 colheres (sopa) de folhas secas de sálvia, tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos, agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente as plantas atacadas para combater a borboleta branca que coloca os ovos nas folhas de couve e dá origem às lagartas que comem as folhas; o controle mecânico, especialmente em pequenas hortas ou em poucas plantas, através da destruição dos ovos que são colocados nas folhas das plantas atacadas, pode reduzir a infestação das lagartas.

• Traça-das-crucíferas (Plutella xyslotella): trata-se de um microlepidóptero de coloração parda. As lagartas podem medir 10 mm de comprimento, com coloração verde-clara e cabeça parda e sobre o corpo apresentam pequenos pêlos esparsos. A fêmea coloca os ovos na página inferior da folha, isolados ou em grupos de 2 a 3, arredondados e, de coloração verde. Danos: a lagarta alimenta-se da epiderme da página inferior da folha. Em altas infestações, danifica totalmente as plantas. Manejo: controle biológico com a bactéria Bacillus thuringiensis, vendido comercialmente como Dipel e outros produtos, pulverizando-se as plantas atacadas, semanalmente.

• Broca-das-cucurbitáceas (Diaphania nitidalis): é uma borboleta de 30 mm de envergadura, com coloração marrom-violácea, com asas apresentando uma área central amarelada semitransparente. A fêmea efetua postura em folhas, ramos ou frutos. As lagartas são esverdeadas (Figura 2) e alimentam-se de qualquer parte vegetal, mas dão preferência pelos frutos. O ciclo completo é de 25 a 30 dias. Danos: abrem galerias e destroem a polpa causando o apodrecimento e inutilizando os frutos (Figura 3). As borboletas põem os ovos nas plantas, originando depois de 3 dias, pequenas lagartas que se introduzem nos frutos em formação.

Figura 2. Broca das cucurbitáceas: fase de larva (lagarta)

Figura 3. Danos da broca das cucurbitáceas em pepino

Manejo: o controle biológico com a bactéria Bacillus thurigiensis, vendido comercialmente como Dipel e outros produtos, pulverizados, semanalmente e preventivamente, a partir do florescimento das plantas, é eficiente no manejo da praga; a abobrinha caserta, cultivada entre as covas de pepino e outras cucurbitáceas, funciona como planta isca, atraindo a broca das cucurbitáceas, sendo que posteriormente devem ser destruídas através da compostagem, quando estiverem muito atacadas pelas lagartas.

• Broca pequena do tomateiro (Neuleucinodes elegantalis): é uma borboleta de cerca de 25 mm de envergadura e coloração branca. As lagartas completamente desenvolvidas (Figura 4), medem cerca de 11 a 13mm de comprimento, apresentando coloração rosada uniforme. Os ovos são brancos e de número variável, em média, 3 por fruto. Danos: a broca ataca solanáceas, especialmente tomate, berinjela e pimentão. O dano começa quando as fêmeas fertilizadas colocam seus ovos nas bases dos frutos ainda pequenos e, em formação, precisamente debaixo do cálice da flor. Após a eclosão dos ovos, que leva em torno de 4 a 5 dias, em poucas horas, ocorre a penetração da broca no fruto. O dano começa a partir do início do florescimento. As larvas crescem no interior do fruto, alimentando-se da polpa e abrindo galerias. Após 22 dias, a praga sai do fruto, deixando um orifício e vai para o solo, onde vira borboleta.

Figura 4. Danos da broca pequena nos frutos, a pior praga do tomateiro 

 Manejo: controle biológico com a bactéria Bacillus thurigiensis, conhecido comercialmente como Dipel e outros produtos, pulverizados, semanalmente e preventivamente, a partir do florescimento das plantas.  Resultados de pesquisa obtidos na Epagri/Estação Experimental de Urussanga mostraram que a calda bordalesa (0,5 a 1%), além de ser eficiente no manejo das doenças foliares do tomate, também reduz a ocorrência da broca pequena do tomateiro. A proteção dos frutos de tomate através de ensacamento das pencas com sacos de papel encerado ou TNT – tecido não tecido (Figura 5), muito utilizado em decorações de festas, é outra medida eficiente para proteger os frutos das brocas e traça do tomateiro. Recomenda-se o ensacamento das pencas, quando as inflorescências estão com seis a oito flores. 
   
 Figura 5. Ensacamento de pencas de tomate com sacos de TNT para proteger os frutos das brocas, traças e outros insetos-pragas

•Traça-do-tomateiro (Tuta absoluta): os adultos são pequenas borboletas de cor cinza, marrom ou prateada, medindo aproximadamente 10 mm de comprimento e podem viver até 1 semana. Acasalam-se imediatamente após a emergência, voam e ovipositam nas plantas de tomate, preferencialmente ao amanhecer e entardecer. Os ovos são colocados nas folhas, hastes, flores e frutos. São de cor branca e, se tornam amarelados ou marrons. As larvas eclodem 3 a 5 dias após a postura e são de cor branca ou verde. Após a eclosão, penetram imediatamente nas folhas, nos frutos ou nos ápices das hastes, onde permanecem por 8 a 10 dias, quando se transforma em pupa. Danos: os danos são causados pelas larvas que formam minas nas folhas e se alimentam no interior destas. Podem destruir completamente as folhas do tomateiro e tornar imprestáveis os frutos, perfurando-os, além de facilitar a entrada de doenças. Quando o produtor notar que as plantas de tomateiro não estão mais crescendo, é bem provável que seja o ataque da traça que está impedindo. Manejo: controle biológico com a bactéria Bacillus thurigiensis, vendido comercialmente como Dipel e outros produtos, pulverizados semanalmente e preventivamente, a partir do florescimento das plantas; a diversificação de espécies (servem como abrigo e alimento dos inimigos naturais), através de refúgios, consorciação entre os cultivos ou ao redor da lavoura é muito importante, pois a traça-do-tomateiro tem muitos inimigos naturais tais como vespas, aranhas, percevejos, formigas e outros; o controle cultural através da destruição dos restos do tomateiro através de compostagem também é muito importante para interromper o ciclo da praga. O coentro (Figura 5), consorciado com as plantas de tomate, repele a traça-do-tomateiro.

Figura 6. O coentro, consorciado com as plantas de tomate, repele a traça-do-tomateiro

• Lagarta-do-cartucho ou militar (Spodoptera frugiperda): é uma borboleta com asas anteriores pardo-escuras e posteriores branco-acinzentadas. As fêmeas colocam os ovos na parte superior das folhas. As lagartas são de cor pardo-escuro, verde e preta. Após a alimentação empupam no solo. Possui ciclo de vida de 36 a 86 dias. Danos: raspagem até destruição das folhas com prejuízo de 20% na produção, aumentando em épocas mais quentes e secas do ano. Manejo: controle biológico com a bactéria Bacillus thurigiensis, vendido comercialmente com o nome de Dipel e outros produtos, a partir do início do ataque das plantas.








quinta-feira, 7 de junho de 2018

O Cultivo do Milho Verde Orgânico



O milho (Zea mays) é um conhecido cereal cultivado em grande parte do mundo, pertencente a família botânica Poáceas (milho, aveia, cana-de-açúcar, pastagens e outras) anteriormente denominada de Gramineas. O milho é uma planta originária da América Central com grande capacidade de adaptação a diversos climas, sendo plantado em praticamente todas as regiões do mundo, ao nível do mar e em regiões montanhosas, em climas úmidos e regiões secas. O milho verde faz parte da culinária brasileira, originária dos índios que aqui sempre viveram. O milho-verde (assim denominado por ser colhido antes de amadurecer) é consumido verde, cozido ou assado na espiga. Existem várias espécies e variedades de milho, todas pertencentes ao gênero Zea. O milho-verde pode ser comprado na espiga, com ou sem palha. Os grãos devem estar bem desenvolvidos, porém macios e leitosos. A palha deve apresentar-se com aspecto de produto fresco e cor verde viva. Para consumo em saladas, assado ou cozido, prefira os grãos mais novos. O milho também pode ser consumido na forma de suco e ingrediente para fabricação de bolo, biscoitos, sorvetes e pamonhas. A planta de milho pode ser aproveitada praticamente em sua totalidade. Após a comercialização das espigas, os restos da planta podem ser aproveitados para posterior incorporação ou como cobertura do solo para plantio direto, ou ainda, sendo triturado para compor a silagem para a alimentação animal.
    O milho é um dos alimentos mais nutritivos que existem. Além dos minerais, o milho verde é rico em vitaminas, em especial as do complexo B, muito importante para o bom funcionamento do sistema nervoso. Estudos realizados na Espanha revelaram que o consumo de milho, associado a cerejas, aveia e vinho tinto, retarda os efeitos da idade no organismo. A razão seria que esses alimentos apresentam alto teor de melatonina, substância produzida em pequenas quantidades pelo corpo, que tem propriedades antioxidantes e atrasa a degeneração. Além disso, o grão também contribui para adiar os processos inflamatórios naturais do envelhecimento, portanto, ajuda a manter o corpo jovem por mais tempo.
  A produção do milho-verde agrega valor, permitindo o uso de mão-de-obra familiar, movimentando o comércio e a indústria caseira. É uma atividade quase que exclusiva de pequenos e médios agricultores. Atualmente, as principais características exigidas pelo mercado para o milho verde são: grãos dentados amarelos, grãos uniformes, espigas longas e cilíndricas (espigas maiores que 15 cm de comprimento e 3 cm de diâmetro), sabugo fino e claro, boa granação, pericarpo delicado e bom empalhamento (espigas bem empalhadas de coloração verde intensa), boa produtividade, alta capacidade de produção de massa e baixa produção de bagaço e tolerância às principais pragas e doenças.
Escolha correta da área e análise do solo
   Recomendam-se áreas não cultivadas com espécies da mesma família botânica (poáceas) nos últimos anos. Solos de textura média, com teores de argila em torno de 30-35% ou mesmo argilosos, com boa estrutura que possibilitam adequada drenagem apresentam boa capacidade de retenção de água e de nutrientes disponíveis às plantas, são os mais recomendados para a cultura do milho. Os solos arenosos (teor de argila inferior a 15%) devem ser evitados, devido à sua baixa capacidade de retenção de água e nutrientes disponíveis às plantas.Preferencialmente, devem-se utilizar solos leves e profundos, com mais de 3,5% de matéria orgânica e com boa drenagem. A análise do solo deve ser feita com antecedência para conhecimento da fertilidade e acidez do solo. Com base nessa análise, o técnico do município poderá fazer a recomendação adequada da acidez do solo e adubação orgânica.

Época de Plantio e Cultivares

   O plantio de uma lavoura deve ser muito bem planejado. O planejamento começa com a compra de uma boa semente. A melhor época de plantio coincide com o início do período chuvoso de cada região, embora os melhores preços sejam obtidos na entressafra ou plantios irrigados de inverno. Pesquisas realizadas mostram que a melhor época para se plantar milho na região Sul, vai da segunda quinzena de setembro até o final da primeira quinzena de novembro, sendo a melhor época em 15 de outubro. No entanto, tendo em vista o bom mercado do milho verde especialmente no Litoral, em função do aumento da população nas praias, é interessante o escalonamento da produção, podendo-se obter boas produções nos meses de dezembro e até janeiro. Especialmente nestes últimos dois meses recomenda-se a consorciação do milho verde com mucuna anã, com o objetivo de cobrir o solo, reduzir a infestação de plantas espontâneas e, especialmente, melhorar a fertilidade do solo. Existem no mercado inúmeros híbridos de milho com resistência à maioria das doenças e com boas características para produção de milho verde. Recomenda-se, no entanto, ao escolher o híbrido, consultar um técnico para que ele indique os melhores materiais visando a produção de milho verde. Também são oferecidos no mercado, embora em menor número, cultivares com boa produtividade e qualidade de espigas visando a produção de milho verde. É importante ressaltar que no cultivo orgânico não é permitido o uso de cultivares transgênicas.

Preparo do solo e plantio

   No cultivo orgânico deve-se evitar o revolvimento do solo, por isso, a técnica de plantio direto vem crescendo muito, dispensando o preparo tradicional do solo, embora exige maior conhecimento técnico e máquinas apropriadas, além da produção anual de massa verde para palhada. O plantio direto na palha facilita muito a conservação do solo, por diminuir em até 70% as perdas de solo por erosão, além de conservar a umidade e reduzir as plantas espontâneas. Quando o terreno não é plano, a plantação deve ser feita em curva de nível. O plantio pode ser manual, com enxadas ou plantadeiras, e em covas distanciadas um metro entre as linhas e 50 cm entre as covas com 3 sementes cada uma ou com plantadeiras, com sementes de 20 em 20 cm. Quando a semente fica depositada no sulco de plantio a uma profundidade de 5cm e o adubo a uma profundidade de 10 a 15cm, tem-se os melhores resultados.

Adubação orgânica

   Tanto a adubação de plantio como de cobertura deve ser conforme recomendação, baseada na análise do solo e nos teores de nutrientes do adubo orgânico. Recomenda-se, preferencialmente, o composto orgânico que pode ser aplicado por ocasião do plantio. O adubo orgânico, especialmente se for esterco de animais (aves ou de gado), deve ser curtido e uniformemente incorporado ao solo, no sulco, de preferência 10 a 15 dias antes do plantio das sementes.

Tratos culturais

Capinas: após a germinação, há necessidade de controlar o desenvolvimento de plantas espontâneas que aparecem junto à cultura. Normalmente, dependendo da infestação de plantas espontâneas, 2 a 3 capinas são suficientes para manter a cultura no limpo até os 35-40 dias, época da adubação de cobertura. Passada essa fase, as plantas espontâneas não tem mais condições de concorrer com as plantas de milho devido ao seu rápido desenvolvimento e conseqüente sombreamento do solo, criando condições desfavoráveis para as plantas espontâneas. No cultivo orgânico, as plantas espontâneas são consideradas "amigas" dos cultivos, por isso, recomenda-se as capinas somente nas linhas de plantio (faixas de 20cm), deixando-as nas entrelinhas e roçando-as somente quando necessário. Recomenda-se também, sempre que possível, semear os adubos verdes no outono (aveia, ervilhaca e nabo forrageiro, isoladamente ou em consórcio) e o cultivo mínimo do milho no final do inverno e início de primavera, preparando-se apenas a linha de plantio e roçando, quando necessário, nas entrelinhas (Figuras 1,2 e 3).
Irrigação o efeito da falta de água, associado à produção de grãos, é particularmente importante em três estádios de desenvolvimento da planta: a) iniciação floral e desenvolvimento da inflorescência, quando o número potencial de grãos é determinado; b) período de fertilização, quando o potencial de produção é fixado; c) enchimento de grãos. As máximas produtividades ocorrem quando o consumo de água durante todo o ciclo está entre 500 e 800mm. A cultura exige um mínimo de 350-500mm para que produza sem necessidade de irrigação. Dois dias de estresse hídrico no florescimento, diminuem o rendimento em mais de 20%, sendo que quatro a oito dias diminuem em mais de 50%.

 Figura 1. Cultivo mínimo de tomate (à esquerda) e milho-verde (à direita), na fase inicial de desenvolvimento das plantas, sobre consórcio de adubos verdes (aveia + ervilhaca+nabo forrageiro) semeados no outono

Figura 2. Cultivo mínimo de tomate (à esquerda) e milho-verde (à direita), na fase intermediária de desenvolvimento das plantas, sobre consórcio de adubos verdes (aveia + ervilhaca+nabo forrageiro) semeados no outono

 Figura 3. Cultivo mínimo de milho-verde orgânico (fase de florescimento) sobre consórcio de adubos verdes semeados no outono

Manejo de doenças e pragas

    A cultura do milho está sujeita à ocorrência de algumas doenças e pragas que podem afetar a produção, a qualidade, a palatabilidade e o valor nutritivo dos grãos. As principais doenças são: doenças foliares e podridões das raízes, do colmo e espiga. Manejo: as principais medidas para o manejo das doenças é o uso de cultivares resistentes, rotação de culturas, manejo adequado da irrigação e, especialmente a eliminação através da compostagem ou enterrio, de restos de cultura onde ocorreu as doenças. Dentre as pragas destacam-se:
Lagarta-do-cartucho ou militar (Spodoptera frugiperda): é considerada a principal praga da cultura do milho no Brasil. É uma borboleta com asas anteriores pardo-escuras e posteriores branco-acinzentadas. As fêmeas colocam os ovos na parte superior das folhas. As lagartas são de cor pardo-escuro, verde e preta. Após a alimentação empupam no solo. Possui ciclo de vida de 36 a 86 dias. Danos: raspagem até destruição das folhas com prejuízo de 20% na produção, aumentando em épocas mais quentes e secas do ano. O ataque ocorre desde a emergência do milho até o pendoamento e espigamento. Manejo: controle biológico com a bactéria Bacillus thurigiensis, vendido comercialmente com o nome de Dipel e outros produtos, a partir do início do ataque das plantas.
Vaquinhas: os adultos são insetos polífagos (atacam várias culturas), pequenos besouros de cores variadas - verde-amarelo (Diabrotica), preto com manchas amarelas (Cerotoma) – Figura 4, verde metálica (Colaspis) e, tamanho aproximado de 10 mm. Ovos branco-amarelado são colocados isoladamente em fendas no solo. A larva conhecida como larva-alfinete (Figura 5) pode chegar até 10 mm de tamanho, alimentando-se de raízes de plantas (Figura 6) e tubérculos de batata. Na fase de larva os prejuízos são irreversíveis, pois tombam as plantinhas recém-emergidas (milho, feijão, feijão-vagem e outras) e furando raízes e tubérculos. Danos: os furos causados pelos insetos adultos nas folhas, associados aos danos causados pelas larvas, acarretam perdas na produtividade e qualidade dos cultivos.
Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) : ataca as espigas desde o início da formação dos grãos e durante a fase do estado leitoso, podendo também atacar as folhas. Além de destruir em parte as espigas, deixa orifícios na palha, por onde penetram fungos e outros microorganismos e água de chuva, concorrendo assim para a deterioração da espiga. Seu controle é difícil, pois a lagarta aloja-se dentro da espiga e fica muito bem protegida.

Figura 4. Vaquinha na fase de adulto causa danos através do desfolhamento das plantas, especialmente no início de desenvolvimento das culturas.

 Figura 5. Vaquinha na fase de larva causa danos nas raízes das plantas recém-emergidas e também em raízes de batata-doce e tubérculos de batata (larva- alfinete)

 
   Figura 6. Danos nas raízes de milho, provocados pela larva-alfinete (vaquinha na fase de larva)


Rotação e consorciação de culturas

    O cultivo intensivo das mesmas espécies de hortaliças na mesma área esgota o solo em certos nutrientes e aumenta a ocorrência de doenças, pragas e plantas espontâneas. Para não confundir os diferentes sistemas de produção de hortaliças é preciso definir cada um deles:
• Monocultura: é o uso continuado de uma mesma cultura, numa mesma estação de crescimento e numa mesma área. Todos os anos a mesma ou as mesmas espécies são semeadas ou plantadas no mesmo local.
• Sucessão de culturas: é o estabelecimento de duas ou mais espécies em seqüência na mesma área, em um período igual ou inferior a 12 meses.
• Consorciação de culturas: é o estabelecimento de duas ou mais espécies simultaneamente na mesma área. Neste tipo de cultivo há competição interespecífica em parte ou em todo o ciclo de desenvolvimento da cultura.
• A rotação de culturas pode ser definida como o cultivo alternado de diferentes espécies vegetais no mesmo local e na mesma estação do ano, seguindo-se um plano predefinido, de acordo com princípios básicos. Dentre estes, destacam-se:
- não cultivar, no mesmo lugar, hortaliças da mesma família botânica, pois essas espécies estão sujeitas às mesmas pragas, doenças e plantas espontâneas. É o princípio de "matar de fome" os insetos, os fungos e as bactérias que atacam as plantas cultivadas;
- o plantio de espécies de famílias botânicas diferentes na mesma área também é importante, devido às diferenças de exigências nutricionais e de sistema radicular das espécies de plantas incluídas no sistema de rotação de culturas.
Rotação e consórcio com adubos verdes: a adubação verde é altamente recomendável para o sucesso da agricultura orgânica. No entanto, muitas vezes para pequenos produtores, devido a escassez de áreas, esta prática torna-se difícil, pois não poderia ter um retorno econômico. Uma alternativa viável técnica e econômica seria fazer o consórcio das hortaliças com os adubos verdes de inverno e de verão. Estes adubos verdes, além de cobrirem o solo, evitando a erosão, reduzem a infestação de plantas espontâneas, reciclam os nutrientes devido aos diferentes sistemas radiculares e, ainda melhoram a fertilidade do solo. Entre os adubos verdes de inverno, destacam-se a aveia, ervilhaca e nabo forrageiro (Figuras 1 e 2), que podem serem semeados no outono; a aveia tem como principal função a cobertura do solo, inibindo as plantas espontâneas, enquanto que a ervilhaca, por fixar o nitrogênio, melhora a fertilidade do solo e, por último o nabo forrageiro, devido ao sistema radicular, ajuda na descompactação do solo. Entre os adubos verdes de verão, destaca-se a mucuna anã que pode ser semeada nos meses de dezembro e janeiro, juntamente com o milho verde na mesma linha de plantio; ao ser colhido o milho verde, onde tem um bom retorno econômico a mucuna toma conta de toda a área (Figura 7), protegendo-a da erosão e das plantas espontâneas e melhorando a fertilidade do solo, além de reciclar os nutrientes que estão nas camadas mais profundas do solo. No inverno, a mucuna, em função do frio, seca sozinha, deixando a área pronta para o plantio direto de hortaliças no final do inverno. Caso não ocorra geada, há necessidade de roçar a mucuna com rolo-faca, especialmente em lavouras maiores.

  Figura 7. As leguminosas, como a mucuna anã, são ótimas opções para rotação e consorciação com milho por possuírem grande capacidade de melhorar a fertilidade e cobrir rapidamente o solo, reduzindo as plantas espontâneas, inibindo a presença de plantas espontâneas (ex.: tiririca, picão-preto e branco, capimcarrapicho e capim paulista), fixando o nitrogênio do ar e reciclando nutrientes do solo devido ao sistema radicular profundo.

Colheita

   O milho verde exige precisão do produtor na colheita e rapidez na comercialização. O milho híbrido passa do ponto muito rapidamente, apresentando um período útil de colheita (tempo de permanência em fase de milho verde) de aproximadamente 4 a 5 dias, exigindo precisão do produtor na colheita e rapidez na comercialização. O milho verde é mais precoce que o seco (milho normal), sendo colhido na fase chamada de grão leitoso e pastoso (fase iniciada normalmente entre 20 e 25 dias após a polinização), podendo ser colhido aos 90 dias, enquanto que o outro só fica no ponto aos 150 dias, no cultivo de verão. Na colheita de milho verde, nem todas as espigas são comercializáveis, havendo uma produção de palhada e espigas não comercializáveis que poderá ser utilizada como forragem ou como adubação orgânica. O cultivo de milho verde é quase exclusivo de pequenos e médios agricultores, que produzem em pequena escala e fazem a colheita do produto manualmente. Na colheita do milho verde em espiga, deve-se adotar cuidados e procedimentos utilizados na colheita de hortaliças, tais como: colher nos momentos mais frescos do dia; manusear as espigas com cuidado e à sombra, para evitar perda de umidade dos grãos; classificar ou padronizar as espigas por tamanho e encaixotar. O milho verde é colhido quando os grãos estão no estado leitoso, ou seja, com 70 a 80% de umidade. O milho verde é altamente perecível e perde rapidamente o sabor adocicado em razão da transformação da sacarose em amido nos grãos. O milho verde sem palha é frequentemente comercializado nas embalagens plástica, em ambiente refrigerado. Este produto não pode ficar fora de refrigeração nem por pouco tempo. A forma mais usual de embalar o milho verde tem sido o envolvimento do produto sobre uma bandeja de isopor com um filme de PVC. Sem refrigeração o milho verde precisa ser comercializado em um único dia. Com o uso de refrigeração pode fica 1 a 3 dias em balcões refrigerados sob umidade elevada. As espigas conservadas com palha tendem a ter melhor proteção contra a perda de água. Normalmente, o tempo de comercialização das espigas verdes empaladas é de 3 a 5 dias quando mantidas em temperatura ambiente.







VÍDEOS



sexta-feira, 1 de junho de 2018

Reconhecimento das Pragas no Cultivo Orgânico



   Plantas saudáveis produzidas em solos com vida e, em ambientes equilibrados, normalmente, não são atacadas por pragas. No entanto, caso ocorra desequilíbrio do meio ambiente e surjam pragas causando danos aos cultivos, deve-se, em primeiro lugar, antes de iniciar um controle, reconhecer qual os insetos que costumam sempre provocar prejuízos à sua lavoura. Inspeção periódica na horta, deve ser realizada procurando-se detectar e conhecer os hábitos das possíveis pragas existentes, época de maior ocorrência, fase do desenvolvimento que causa maiores danos (larva, ninfa ou adulto), e plantas hospedeiras que se encontram próximas da lavoura. A maior parte das pragas ataca geralmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza. Elas podem causar vários danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças, principalmente as fúngicas. As principais pragas que podem causar danos às hortaliças são: grilos, paquinhas, lagarta rosca, vaquinhas, pulgões, lesmas, curuquerê-da-couve, broca das cucurbitáceas e do tomateiro, traça das crucíferas e do tomateiro, lagarta-do-cartucho, mosca-branca, mosca minadora, tripes, ácaros e formigas cortadeiras.
 • Grilos: com aparelho bucal mastigador, o adulto apresenta coloração marrom e pode medir até 2,5 cm de comprimento, sendo as pernas posteriores saltatórias. As fêmeas colocam até 970 ovos. O ciclo completo de ovo a adulto pode atingir a 90 dias. São polifagos (atacam várias plantas). Danostanto o adulto como as formas jovens apresentam hábitos noturnos, atacando preferencialmente sementeiras e viveiros, destruindo as raízes e plantinhas.

Paquinhas: também com aparelho bucal mastigador, o adulto tem asas marrom-escuras e mede cerca de 3 cm de comprimento. As pernas anteriores são escavadoras e as posteriores saltatórias. Possuem hábitos diferentes dos grilos por construírem galerias subterrâneas, entre 5 e 20 cm de profundidade. O ciclo biológico pode alcançar em torno de 10 meses, sendo a época de maior ocorrência de setembro a abril. Apresenta também hábito polífagos (atacam várias plantas. 
Danos:adultos e ninfas alimentam-se principalmente de raízes. Às vezes cortam pedaços da parte aérea da planta e carregam para seus túneis. Ocorrem geralmente em reboleiras.
Manejo de grilos e paquinhas com extrato de pimenta; coloca-se uma quantidade de pimenta malagueta num frasco, acrescenta-se álcool para cobrí-las,  fecha-se e deixa-se curtir por pelo menos 3 dias. Após, o extrato já pode ser utilizado ou armazenado assim mesmo em local escuro. Em geral se utiliza uma colher de sopa deste extrato por litro de água para pulverizar as plantas. Mas também é possível utilizar dosagens mais fortes (até 1%) para aplicações em hortas. Seu uso deve ser repetido após chuvas ou irrigação. Usar luvas ao manipular a pimenta e vestimenta de proteção ao aplicar o extrato.

• Lagarta rosca: com aparelho bucal mastigador na fase de lagarta, os adultos são mariposas marrom-escuras com algumas manchas pretas. As lagartas atacam inúmeras plantas e ficam abrigadas no solo durante o dia, sendo que ao escurecer iniciam sua alimentação atacando o colo da planta e tubérculos. Quando são tocadas, enrolam-se (Figura 1). As lagartas atingem até 3,5 cm e podem viver até 30 dias. Ocorre o ano inteiro, com pico populacional em dezembro. Danos:as lagartas atacam as plantas nos primeiros 30 dias, reduzindo a densidade de plantio, sendo que o nível de dano varia para cada cultura. Manejo: o extrato de pimenta, além de controlar grilos e paquinhas, também é eficiente para o manejo de lagarta rosca; em áreas onde já apresentou problemas, é recomendável o preparo do solo 3 a 4 semanas antes do plantio; isca atrativa com óleo vegetal (50ml) + açúcar mascavo (40g) + farelo de trigo grosso (1kg) + suco cítrico (20ml) + bórax (5g), bem misturado, deixadas em porções protegidas nas proximidades das áreas mais frequentadas pelas lagartas também é eficiente no manejo da lagarta rosca; especialmente em hortas pequenas e com baixa ocorrência, o controle mecânico através de pequenas escavações próximas as plantas atacadas e posteriormente destruindo as lagartas, pode ser eficiente.

   
Figura 1. Lagarta rosca

• Vaquinhas: os adultos são insetos polífagos (atacam várias culturas), pequenos besouros de cores variadas - verde-amarelo (Diabrotica), preto com manchas amarelas (Cerotoma) – Figura 2,verde metálica (Colaspis) e, tamanho aproximado de 10 mm. Ovos branco-amarelado são colocados isoladamente em fendas no solo. A larva conhecida como larva-alfinete (Figura 3) pode chegar até 10 mm de tamanho, alimentando-se de raízes de plantas (Figura 4) e tubérculos de batata. Na fase de larva os prejuízos são irreversíveis, pois tombam as plantinhas recém-emergidas (milho, feijão, feijão-vagem e outras) e furando raízes e tubérculos. Danos: os furos causados pelos insetos adultos nas folhas, associados aos danos causados pelas larvas, acarretam perdas na produtividade e qualidade dos cultivos.

 
 Figura 2. Vaquinha na fase de adulto causa danos através do desfolhamento das plantas, especialmente no início de desenvolvimento das culturas.

Figura 3. Vaquinha na fase de larva causa danos nas raízes das plantas recém-emergidas e também em raízes de batata-doce e tubérculos de batata (larva- alfinete)

 
 Figura 4. Danos nas raízes de milho, provocados pela larva-alfinete (vaquinha na fase de larva)
  
• Pulgões: os pulgões (Figura 5) tem um ciclo de 5 a 6 dias , sendo que uma fêmea produz cerca de 60 ovos (por individuo). Todos os indivíduos são fêmeas, não precisando de machos para se multiplicar, e são rapidamente disseminados pela lavoura, caso não se controle os focos iniciais de infestação. São pequenos insetos (2 a 4mm) marrons, cinzas, esverdeados ou pretos que vivem em colônias, especialmente em brotações novas, nas folhas mais tenras e nos caules Danos: os pulgões causam prejuízos pela sucção da seiva nas folhas mais jovens e brotos tornando-os encarquilhados e expelem um líquido açucarado sobre as folhas. Este líquido propicia o desenvolvimento de um fungo negro, conhecido como fumagina (muito comum em pomares novos) que envolve toda a folha, provocando a perda na qualidade das folhas (hortaliças) mesmo após o controle. Podem transmitir viroses.Os períodos mais favoráveis ao surgimento dos pulgões são a primavera, o verão e o início do outono.

Figura 5. Ataque de pulgões em folha de couve

 Manejo de pulgões e vaquinhas: recomenda-se os preparados à base de plantas tais como pimenta e cebola para o manejo de pulgões e vaquinhas. Para o manejo de pulgões, outros preparados tais como, de cavalinha-do-campo, losna, confrei , samambaia, cinamomo, coentro e cravo-de-defunto também são eficientes (ver como preparar através de matérias já postadas neste blog). No manejo de vaquinhas, na fase adulta, ainda existem as plantas que podem servir como iscas atrativas, tais como abobrinha caserta , tajujá , porongo ou cabaça. O uso de variedades resistentes, como por exemplo, a cultivar de batata-doce Brazlândia roxa, é eficiente no manejo da larva-alfinete (fase larval da vaquinha) que ataca as raízes deste cultivo. Também um bom preparo do solo, associado a uma boa amontoa (chegamento de terra) no cultivo de batata, reduz significativamente os danos causados pelas larvas-alfinete em tubérculos de batata. No manejo de pulgões deve-se evitar o uso exagerado de adubação nitrogenada, utilizar a irrigação como forma de reduzir a infestação e também culturas atrativas aos diversos inimigos naturais (joaninhas, vespinhas e crisopídeo); o sorgo favorece o aumento da população de crisopídeo. Dentre os inimigos naturais dos pulgões, destaca-se a joaninha. Ainda, no manejo de pulgões é muito importante manter a vegetação nativa nas proximidades da lavoura, pois serve de abrigo e alimento aos inúmeros inimigos naturais dos pulgões.

• Lesmas: são moluscos de cor escura (Figura 6) que atacam geralmente à noite. São hermafroditas e expelem um muco, que ao secar, deixa um risco característico. Durante o dia esconde-se embaixo de tocos, palhas e lugares úmidos. Podem ser vetores de parasitóides intestinais em humanos. Danos: além de prejudicar a saúde humana, as lesmas atacam as folhas e as raízes de plantas pequenas e tenras.

Figura 6. Lesmas

 Manejo : proteção dos canteiros colocando cal virgem ou cinzas de madeira ao redor dos canteiros; o uso de armadilhas – uso de sacos de aniagem úmidos ao redor dos canteiros, colocados à tarde, servem como abrigo, podendo ser mortos no dia seguinte com água quente, esmagamento ou com água sanitária. Outra armadilha é o uso de lata de azeite com uma tampa aberta, enterradas com abertura no nível do solo, colocando um pouco de cerveja misturada com sal. Ainda pode ser utilizado o preparado com chuchu – colocar dentro de latas rasas, como as de azeite, pedaços de chuchu cortados ao meio e adicionar sal. Essa mistura é bastante atrativa, possibilitando posteriormente a destruição através do esmagamento ou água quente ou ainda água sanitária.