O nabo (Brassica rapa L.) da família das brássicas, assim como o repolho, couve, couve-flor, brócolis e rabanete, é uma planta herbácea, bienal cultivada como anual, onde a raiz é a parte comestível. O sistema radicular do nabo é carnudo e pode assumir diversas formas e ter coloração uniforme ou ser bicolor, sendo o branco e o roxo as mais comuns (Figura 3). Alguns têm raízes compridas, outros redondas e há ainda outros de forma achatada. As folhas dos Nabos são de cor verde médio a escuro, rugosas, ásperas, pubescentes e dispostas em roseta durante a fase vegetativa do ciclo. As flores são amarelas, agrupadas numa haste floral. O fruto dos nabos é uma síliqua, característica da brássicas. Nativo da Europa e Ásia Central, o nabo foi cultivado pela primeira vez no Oriente Médio há 4.000 anos. O nabo, assim como os outros membros do gênero Brassica, foi introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses. Desde então, tem sido parte da alimentação dos brasileiros por ser um alimento saboroso e nutritivo. Uma das vantagens de se cultivar esta espécie é a possibilidade de aumentar a renda durante o tempo transcorrido entre duas outras culturas de ciclo mais longo (consórcio), pois além de ser relativamente rústica, apresenta ciclo muito curto (cerca de 30 dias), com retorno rápido.
Figura 3. Raízes e folhas de nabo redondo
Uso culinário, propriedades nutricionais e terapêuticas
É cultivado devido às raízes, que são comestíveis, mas suas folhas também podem ser utilizadas para saladas e sopas. As raízes de nabo são conhecidos pelo sabor característico levemente amargo, porém refrescante, apreciado na culinária de vários países, principalmente em saladas. A maioria das pessoas serve os nabos frescos ou cozidos, mas eles também podem ser assados e cozidos no vapor ou fritos. Por sua versatilidade e pelo sabor doce e ao mesmo tempo picante, o nabo pode ser usado em saladas, cozidos, sopas e pratos de legumes. As raízes de nabo são ricas em vitamina C, fibras e sais minerais como o potássio, sódio, cálcio e fósforo. Por conter baixas calorias (100 gramas possui apenas 35 calorias), o nabo é muito indicado em dietas de restrições calóricas, por ser leve e ainda ajudar no processo de digestão. As folhas de nabo também são comestíveis e seu sabor é semelhante ao de mostarda. Mais nutritivas do que as raízes, as folhas de nabos são uma excelente fonte de beta-caroteno (Vitamina A), contêm boas doses de vitaminas K e C, folatos e cálcio. Uma xícara de folhas cozidas fornece 40 mg de vitamina C, aproximadamente 200 mg de cálcio e quase 300 mg de potássio.
O nabo (raiz) também serve como uma excelente fonte de cálcio e, um maior consumo deste importante mineral tem sido associado com uma diminuição significativa no risco de cancro do cólon e reto. O teor de fibra dietética das raízes aumenta ainda mais a sua capacidade de oferecer proteção contra o cancro colorrectal. É também uma boa fonte de fibras solúveis que ajudam a controlar os níveis de colesterol no sangue. Além disto, as folhas possuem uma substância chamada luteína, um poderoso antioxidante carotenóide. O beta-caroteno das folhas de nabo é importante porque os baixos níveis de vitamina A, que pode ser formada no organismo, a partir de beta-caroteno, são associados com artrite reumatóide O nabo possui ainda outras propriedades medicinais: é diurético, expectorante, purificador do sangue, emoliente, antipirético, alcalinizante e possui um leve efeito laxativo. No entanto, nas raízes também são encontradas quantidades mensuráveis de oxalatos, substâncias que se excessivamente concentrada nos fluidos corporais podem se cristalizar e causar sérios danos a saúde. O nabo é uma brássica (família de vegetais que inclui o repolho, c. flor, brócolis e o rabanete) que contém compostos sulfurosos que protegem contra certos tipos de câncer. No entanto, como outros vegetais desta família botânica, pode provocar gases e distensão abdominal.
Cultivo
A cultura prefere climas frescos e úmidos e suporta geadas ligeiras. Em regiões ou épocas do ano quentes e secas, a produtividade é reduzida e a qualidade das raízes é afetada. As temperaturas ótimas situam-se entre os 15 a 20 Cº.
Época de plantio: O plantio na Região Sul e Sudeste é entre fevereiro e novembro e para as demais regiões entre maio e julho.
Solos: Os nabos preferem solos de textura média (textura franco-arenosa), ricos em matéria orgânica (entre 2 a 4%), com pH entre 6,0 e 7,5, bem drenados e com boa capacidade de retenção de água durante a fase de crescimento.
Cultivares: Existem os híbridos, com raízes compridas, chamados de Natsu Minouwas e as variedades Tokinashi Kokabu, Purple Topwhite Globe, Chato Francês, Shogoin, Snowball e outras. As melhores variedades são: Chato Francês, “Snowball”, Purple Top e Comprido Japonês (Figura 4).
Figura 4. Nabo japonês e nabo redondo
Irrigação: O nabo é muito exigente em água, principalmente na fase de engrossamento das raízes.
Plantio e espaçamento: A semeadura é feita no local definitivo, depois de preparar o terreno e adubá-lo, conforme análise do solo. O espaçamento mais recomendado é de 30 x 10cm ou 40 x 15 cm, dependendo da variedade cultivada. Deve-se utilizar na semeadura, sementes na proporção de 3 kg/ha, sendo que um grama contém cerca de 70 sementes. Semear numa profundidade de 1 cm e regar.
Tratos culturais: resumem-se em desbaste (raleio), deixando um intervalo de 10 a 15 cm entre plantas, capinas e escarificações.
Manejo de doenças e pragas: É uma planta muito resistente e não costuma apresentar problemas com pragas e doenças, no cultivo orgânico, mas pode sofrer algum ataque de fungo e pragas como pulgões e as lagartas. Para os pulgões diversos preparados de plantas são eficientes tais como o extrato de pimenta e preparado de cebola (ver matérias postadas em 01, 16 e 27/09/2011 e 21 e 26/10/2011: “Manejo ecológico de insetos-pragas”) No manejo das lagartas, o uso de Baccilus thurigiensis (controle biológico) como o Dipel (produto comercial) e outros é eficiente. A adubação orgânica equilibrada, com base na análise do solo, e a rotação e consorciação de culturas que não pertencem a mesma família botânica (brássicas) são práticas preventivas muito eficientes no manejo de pragas e doenças, além de melhorar a fertilidade e as características físicas e biológicas do solo.
Colheita
O ciclo cultural tem a duração de cerca de 40 a 60 dias na primavera e verão e 90 a 100 dias no inverno. O ciclo do nabo comprido, também conhecido como nabo japonês é de 60 dias no verão e 80 dias no inverno.
Nas últimas décadas, a Medicina Tradicional/Complementar e Alternativa (MT/MCA) e seus produtos, principalmente plantas medicinais, cada vez mais têm-se tornado objeto de políticas públicas nacionais e internacionais, especialmente na área da saúde, incentivadas pelas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, as plantas medicinais e seus derivados são amplamente utilizados pela população nos cuidados com a saúde, assim como existem programas de fitoterapia inseridos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os principais instrumentos norteadores, aprovados em 2006, são a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, que contempla diretrizes, ações e responsabilidades institucionais, entre outras, para plantas medicinais e fitoterapia no SUS, e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que traz diretrizes para desenvolvimento da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos. As políticas nacionais trouxeram avanços para a saúde no País, pela normatização e institucionalização das experiências com plantas medicinais e fitoterapia na rede pública e como indutor de políticas, programas e legislação nas três instâncias de governo.
Políticas públicas contemplam diretrizes e linhas estratégicas de atuação governamental, as quais orientam legislação, programas e projetos para o desenvolvimento econômico e social do país. A diversidade biológica ou biodiversidade, compreendida como o “conjunto de todos os seres vivos com toda sua variabilidade genética”, tem sido cada vez mais reconhecida como um dos elementos centrais para o desenvolvimento e bem-estar da humanidade e a grande responsável pelo equilíbrio ambiental global (WILSON, 1997).
Nas últimas décadas, a Medicina Tradicional3/Complementar e Alternativa (MT/ MCA) e seus produtos, principalmente plantas medicinais, cada vez mais têm-se tornado objetos de políticas públicas nacionais e internacionais, especialmente na área da saúde, incentivadas pelas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual reconhece a importante contribuição da MT na prestação de assistência social, especialmente às populações com pouco acesso aos sistemas de saúde (BRASIL, 2008b). Estas práticas estão cada vez mais popularizadas e valorizadas e são incentivadas não somente pelos profissionais que atuam na rede básica de saúde dos países em desenvolvimento, mas também por aqueles países onde a medicina convencional é predominante no sistema de saúde local (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2002).
Os esforços da OMS em considerar o valor potencial da MT, como práticas seguras e eficazes, e incentivar sua integração aos sistemas oficiais de saúde orientados pelas diretrizes de políticas nacionais de MT, iniciaram-se no final da década de 1970 com a criação do Programa de Medicina Tradicional. Um dos principais documentos, frutos desse Programa, foi “Estratégia da OMS para a Medicina Tradicional para 2002-2005”, que contempla diagnóstico, desafios e potencialidades da MT, assim como o papel e os objetivos da Organização nesse campo. Nesse documento, a OMS (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2002) propôs respaldar os países a:
a) integrar as MT/MCA aos sistemas nacionais de saúde, desenvolvendo e implementando políticas e programas nacionais;
b) promover a segurança, eficácia e qualidade das MT/MCA;
c) aumentar a disponibilidade e acessibilidade das MT/MCA;
d) fomentar o uso racional das MT/ MCA, tanto pelos provedores quanto pelos consumidores.
Outro importante documento, publicado em 2005, foi o “National Policy on Traditional Medicine and Regulation of Herbal Medicines”, que discute a situação mundial das Políticas Nacionais de MT/ MCA e medicamentos oriundos de plantas medicinais (fitoterápicos, no Brasil). No diagnóstico, 45 países dos 141 que responderam ao questionário afirmaram possuir Política Nacional de MT/MCA e, quanto à situação regulatória para medicamentos oriundos de plantas medicinais, a maioria dos Estados-membros (65%), ou seja, 92 possuem leis ou regulamentos para esses medicamentos, onde se inclui o Brasil. Segundo a OMS, os medicamentos oriundos de plantas medicinais (herbal medicines4) são os mais largamente utilizados nas medicinas tradicionais. Para esses medicamentos, relata que os mais importantes desafios são critérios de segurança, eficácia e qualidade e que dependem de regulamentação adequada (WHO, 2005).
No Brasil, as plantas medicinais e seus derivados vêm, há muito, sendo utilizados pela população nos seus cuidados com a saúde, seja pelo conhecimento tradicional na MT indígena, quilombola, entre outros povos e comunidades tradicionais, seja pelo uso na medicina popular, de transmissão oral entre gerações, seja nos sistemas oficiais de saúde, como prática de cunho científico, orientada pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Além do conhecimento tradicional associado às plantas medicinais, da tradição de uso pela população, da rica diversidade de espécies vegetais, da grande sociodiversidade, o País possui infraestrutura tecnológica para desenvolvimento de produtos oriundos da biodiversidade brasileira com vistas à ampliação do acesso da população a serviços e produtos em atenção à saúde, assim como redução da dependência tecnológica de insumos farmacêuticos.
Todas as oportunidades e potencial do País para desenvolvimento das plantas medicinais e da fitoterapia para a população brasileira e de ações e programas implantados na rede pública de saúde, diversos documentos e recomendações foram elaborados, visando normatizar esse setor e ampliar o acesso a esses produtos e serviços com segurança e eficácia. Dentre estes são citados:
a) o Programa de Pesquisa de Plantas Medicinais (PPPM) da Central de Medicamentos (Ceme), do Ministério da Saúde, vigente entre 1982 e 1997, que realizou pesquisas com 55 espécies de plantas medicinais com o objetivo, entre outros, de: Desenvolver uma terapêutica alternativa e complementar, com embasamento científico, por meio do estabelecimento de medicamentos fitoterápicos originados a partir da determinação do real valor farmacológico de preparações de uso popular, à base de plantas medicinais. (BRASIL, 2006d);
b) a Resolução Ciplan no 8, de 8 de março de 1988, a qual regulamentou a prática de fitoterapia nos serviços de saúde, assim como criou procedimentos e rotinas relativas à prática da fitoterapia nas Unidades Assistenciais Médicas;
c) as recomendações das Conferências Nacionais de Saúde, do Fórum para a Proposta de Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, ocorrido em 2001, e do Seminário Nacional de Plantas Medicinais, Fitoterápicos e Assistência Farmacêutica, ocorrido em Brasília, em setembro de 2003 (BRASIL, 2006d).
A primeira Política Nacional que contemplou diretrizes com interface com a MT, nesse caso a Medicina Tradicional Indígena, na qual as plantas medicinais destacam-se como importante recurso terapêutico, foi a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, aprovada por meio da Portaria GM no 254, de 31 de janeiro de 2002, do Ministério da Saúde. Nesta Política Nacional:
O princípio que permeia todas as diretrizes é o respeito às concepções, valores e práticas relativos ao pro cesso saúde-doença próprios a cada sociedade indígena e a seus diversos especialistas. A articulação com esses saberes e práticas deve ser estimulada para a obtenção da melhoria do estado de saúde dos povos indígenas. (BRASIL, 2002).
Entre as diretrizes cabe destacar:
a) articulação dos sistemas tradicionais indígenas de saúde;
b) produção de ambientes saudáveis e proteção à saúde indígena;
c) promoção ao uso adequado e racional de medicamentos, a qual estabelece:
Nas ações que envolvem direta ou indiretamente a assistência farmacêutica no contexto da atenção à saúde indígena, devem também compor as práticas de saúde tradicionais dos povos indígenas, que envolvem o conhecimento e o uso de plantas medicinais e demais produtos da farmacopeia tradicional no tratamento de doenças e outros agravos à saúde. (BRASIL, 2002).
Outra política nacional que veio atender à demanda da OMS de formulação de Políticas Nacionais de MT/MCA, visando integrá-las aos sistemas oficiais de saúde, é a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS, aprovada em 2006, que contempla diretrizes para Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Homeopatia e Plantas Medicinais e Fitoterapia, assim como para observatórios de saúde do Termalismo Social e da Medicina Antroposófica.
O processo de elaboração e a aprovação da PNPIC proporcionaram o desenvolvimento de políticas, programas e ações em todas as instâncias do governo federal. Destaque é dado à Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, elaborada pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), a qual contempla diretrizes para toda a cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos. As diretrizes para plantas medicinais e fitoterapia no SUS, incluídas nesta Política Nacional, estão em consonância com as diretrizes da PNPIC (BRASIL, 2006e).
A PNPIC no SUS e a Política Nacional Plantas Medicinais e Fitoterápicos trouxeram grandes avanços, entre outros, para a saúde no País, pela normatização e institucionalização das experiências com plantas medicinais e fitoterapia na rede pública e como indutoras de políticas, programas e legislação nas três instâncias de governo, fato comprovado pelo aumento significativo de ações, programas e políticas nos Estados e municípios brasileiros após as suas aprovações.
POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES (PNPIC) NO SUS: PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA
No Brasil, aproximadamente 350 municípios/Estados, distribuídos em todas as regiões, oferecem ações/serviços com plantas medicinais e fitoterapia no SUS, além de outras práticas integrativas e complementares (Homeopatia, MTC/Acupuntura, Medicina Antroposófica, entre outras). As ações/serviços de fitoterapia ocorrem de maneira diferenciada, com relação aos produtos e serviços oferecidos, principalmente relacionadas com as espécies de plantas medicinais disponibilizadas, em virtude dos diferentes biomas. No entanto, a maioria das ações é ofertada na atenção básica (BRASIL, 2008b), definida na Política Nacional de Atenção Básica como o conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde à prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde.
Alguns Estados/municípios possuem políticas e legislação específicas para o serviço de fitoterapia no SUS e laboratórios de produção, disponibilizando plantas medicinais e/ou seus derivados, além de publicações para profissionais de saúde e população sobre uso racional destes produtos. Outros, no entanto, possuem com menor nível de complexidade, em virtude de implantação recente, da carência de recursos e de profissionais capacitados ou pela dificuldade em cumprir as exigências da legislação sanitária.
A necessidade de normatização e institucionalização dessas ações/serviços inseridos no SUS, as demandas da OMS e da população brasileira pela valorização das práticas tradicionais (populares) culminaram na formulação e aprovação da PNPIC no SUS, por meio da Portaria GM no 971, de 3 de maio de 2006, do Ministério da Saúde, após amplo processo de discussão e validação com representantes de governo e da sociedade civil, assim como pela submissão às instâncias de avaliação de políticas de saúde. Por meio dessa política, o Ministério da Saúde estabeleceu diretrizes para incorporação e implementação da Homeopatia, Plantas Medicinais e Fitoterapia, Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, assim como para observatórios de saúde do Termalismo Social – Crenoterapia no SUS (BRASIL, 2006c).
Esta Política Nacional visa, entre outros:
Incorporar e implementar as Práticas Integrativas e Complementares no SUS, na perspectiva da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde e contribuir para o aumento da resolubilidade do Sistema e ampliação do acesso às Práticas Integrativas e Complementares, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso. (BRASIL, 2006c).
A PNPIC contempla diretrizes para Plantas Medicinais e Fitoterapia no SUS, cuja proposta foi construída seguindo o modelo da fitoterapia ocidental, entendida como:
Terapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal. (BRASIL, 2006c).
A abordagem dessa proposta incentiva o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social, em virtude de a quase totalidade dos programas no País basear-se neste modelo (BRASIL, 2006c).
As diretrizes constantes nesta Política para Plantas Medicinais e Fitoterapia são (BRASIL, 2006c):
- elaboração da Relação Nacional de Plantas Medicinais e da Relação Nacional de Fitoterápicos;
-provimento do acesso a plantas medicinais e fitoterápicos aos usuários do SUS. A Política preconiza que os serviços podem disponibilizar planta medicinal in natura, planta medicinal seca (droga vegetal), fitoterápico manipulado e/ou fitoterápico industrializado;
-formação e educação permanente dos profissionais de saúde em plantas medicinais e fitoterapia;
- fortalecimento e ampliação da participação popular e controle social;
- incentivo à pesquisa e desenvolvimento de plantas medicinais e fitoterápicos, priorizando a biodiversidade do País;
- promoção do uso racional de plantas medicinais e dos fitoterápicos no SUS;
- acompanhamento e avaliação da inserção e implementação das plantas medicinais e fitoterapia no SUS;
- garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária;
- estabelecimento de política de financiamento para o desenvolvimento de ações.
Essa Política contempla, também, ações e responsabilidades de entidades federais, estaduais e municipais para a sua implantação e implementação, as quais orientarão os gestores na implantação ou adequação dos programas existentes, assim como na formulação de políticas estaduais e municipais.
POLÍTICA NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS
O desenvolvimento de políticas, programas e projetos do governo na área de plantas medicinais e fitoterápicos e as discussões durante a formulação das diretrizes para Plantas Medicinais e Fitoterapia da PNPIC apontaram a necessidade de uma Política Nacional que contemplasse diretrizes para o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, objetivando um projeto conjunto entre órgãos governamentais e não-governamentais. Visando à elaboração da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, foi constituído por Decreto Presidencial, em 17 de fevereiro de 2005, o GTI, formado por representantes do Ministério da Saúde (coordenação); Casa Civil; Ministério da Integração Nacional; Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT); Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA); Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e por representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Fundação Oswaldo Cruz.
O GTI, após período de discussão, subsidiado por documentos de fóruns, seminários e conferências, além de regulamentações nacionais e internacionais, elaborou a Proposta de Política que foi submetida aos ministros das Pastas envolvidas, para avaliação e aprovação e, posteriormente, à Casa Civil da Presidência. Em 22 de junho de 2006, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos foi aprovada na forma do Decreto Presidencial no 5.813, que também instituiu o GTI para elaborar o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, em conformidade com as diretrizes da Política Nacional (BRASIL, 2006ae).
A Política Nacional traz como objetivo:
Garantir à população brasileira do acesso seguro e uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional. (BRASIL, 2006e).
Entre as 17 diretrizes contempladas no documento, podem ser citadas (BRASIL, 2006e):
Regulamentar o cultivo; o manejo sustentável; a produção, a distribuição, e o uso de plantas medicinais e fitoterápicos, considerando as experiências da sociedade civil nas suas diferentes formas de organização;
• Incentivar a formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e inovação em plantas medicinais e fitoterápicos;
• Fomentar pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação com base na biodiversidade brasileira, abrangendo espécies vegetais nativas e exóticas adaptadas, priorizando as necessidades epidemiológicas da população;
• Incentivar a incorporação racional de novas tecnologias no processo de produção de plantas medicinais e fitoterápicos;
• Garantir e promover segurança, eficácia e qualidade no acesso a plantas medicinais e fitoterápicos;
• Promover o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios derivados do uso dos conhecimentos tradicionais associados e do patrimônio genético;
• Promover a inclusão da agricultura familiar nas cadeias e nos arranjos produtivos das plantas medicinais, insumos e fitoterápicos;
• Incrementar as exportações de fitoterápicos e insumos relacionados, priorizando aqueles de maior valor agregado;
• Estabelecer mecanismos de incentivo para a inserção da cadeia produtiva de fitoterápicos no processo de fortalecimento da indústria farmacêutica nacional.
Para monitoramento e avaliação da implantação das referidas diretrizes, a
Política Nacional previu a criação de Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, GTI formado por representantes do governo e dos diferentes setores da sociedade civil envolvidos com o tema, posteriormente à elaboração do Programa Nacional.
Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos
Posterior à aprovação da Política Nacional e com vistas à implementação de suas diretrizes foi instituído o GTI, formado por representantes do Ministério da Saúde (coordenação); da Casa Civil; Ministério da Integração Nacional; MDIC; MDA; MCT; Ministério da Cultura; MMA; MAPA; MDS e por representantes da Anvisa e da Fundação Oswaldo Cruz, pela Portaria no 2.311 do Ministério da Saúde, de 29 de setembro de 2006 (BRASIL, 2006b), republicada em 22 de fevereiro de 2007, com o objetivo de elaborar o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Esse GTI, orientado pelas diretrizes e linhas de ação da Política Nacional, elaborou a proposta de Programa Nacional, que foi submetida à consulta pública e, após consolidação das contribuições, às instâncias superiores para avaliação e aprovação. O Programa foi aprovado em 9 de dezembro de 2008, por meio da Portaria Interministerial no 2.960, que também criou o Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, com representantes de órgãos governamentais e não-governamentais, estes com representantes de todos os biomas brasileiros (BRASIL, 2008a).
O Programa Nacional, em conformidade com as diretrizes da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e da PNPIC no SUS, traz ações, gestores, órgãos envolvidos, prazos e origem dos recursos para implementação destas ações com abrangência de toda a cadeia produtiva.
É o principal instrumento para orientação dos gestores federais na implantação das diretrizes da Política Nacional, assim como subsidia o trabalho do Comitê Nacional no monitoramento e avaliação das ações. Cabe ressaltar que a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos é documento de Estado e, já o Programa, instrumento de governo para implantação das ações, com prazos e responsabilidades, necessita, portanto, de revisão e atualização a cada gestão do governo federal.
POLÍTICAS E PROGRAMAS ESTADUAIS/MUNICIPAIS PARA PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA
Alguns Estados e municípios elaboraram suas políticas e regulamentações para o serviço de fitoterapia na rede pública de saúde anteriormente à iniciativa do governo federal, pela necessidade de normatização das práticas há muito existentes nos municípios. Entretanto, a demanda por normatização estadual/municipal incrementou-se com a formulação e aprovação das Políticas Nacionais. Atualmente, o documento da PNPIC é o referencial para Estados e municípios formularem suas políticas, assim como as estratégias de formulação e aprovação adotadas pelo governo federal.
Sobre as iniciativas estaduais/municipais, podem-se citar:
a) Ceará: Decreto no 30.016, de 30 de dezembro de 2009, que regulamenta a Lei no 12.951, de 7 de outubro de 1999, dispõe sobre a Política de Implantação da Fitoterapia em Saúde Pública no estado do Ceará;
b) Espírito Santo: Resolução no 543/ 2008 do Conselho Estadual de Saúde, que aprova a Proposta de Institucionalização da Política das
Práticas Integrativas e Complementares: homeopatia, acupuntura e fitoterapia, no estado do Espírito Santo;
c) Minas Gerais: Resolução no 1885, de 27 de maio de 2009, da Secretaria Estadual de Saúde, que aprova a Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares;
d) Rio Grande do Sul: Projeto de Lei no 108/2006, da Assembleia Legislativa do Estado, que institui a Política Intersetorial de Plantas Medicinais e de Medicamentos Fitoterápicos no estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências;
e) São Paulo: Decreto no 49.596, de 11 de junho de 2008, que regulamenta a Lei no 14.682, de 30 de janeiro de 2008, institui, no âmbito do município de São Paulo, o Programa Qualidade de Vida com Medicinas Tradicionais e Práticas Integrativas em Saúde e a Lei no 14.903, de 6 de fevereiro de 2009, que dispõe sobre a criação do Programa de Produção de Fitoterápicos e Plantas Medicinais no município de São Paulo e dá outras providências. de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, com abrangência da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, foram formulados em consonância com as recomendações da OMS e os princípios e diretrizes do SUS, levando-se em consideração, entre outros, o potencial e as oportunidades que o Brasil tem para desenvolvimento do setor, a demanda da população brasileira pela oferta dos produtos e serviços na rede pública e a necessidade de normatização das experiências existentes no SUS.
Essas Políticas têm convergência e sintonia com outras Políticas Nacionais, como a Política Nacional de Saúde, de Atenção Básica, de Educação Permanente, de Assistência Farmacêutica, de Atenção à Saúde de Povos Indígenas, de Povos e Comunidades Tradicionais, de Biodiversidade, a Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior, entre outras, e as ações decorrentes dessas políticas são imprescindíveis para melhoria da atenção à saúde da população, ampliação das opções terapêuticas aos usuários do SUS, uso sustentável da biodiversidade brasileira, fortalecimento da agricultura familiar, geração de emprego e renda, desenvolvimento industrial e tecnológico, inclusão social e regional.
Outros Nomes Populares: folha-da-fortuna, courama, coirama, folha-da-costa, folha-de-pirarucu, pirarucu, roda-da-fortuna, folha-grossa.
Usos: feridas tópicas e dores no estômago. Possui ação antifúngica e anti-inflamatória. Pesquisas com o uso desta planta para o tratamento da Leishmaniose tem sido desenvolvidas.
Parte utilizada: folhas.
Plantio: pode brotar a partir da própria folha sobre a terra.
Princípios Ativos: flavonoides e mucilagens.
Observações:
•Possui flavonoides incomuns, entre eles a quercitrina, que em estudos tem mostrado importantes e efetivas ações no tratamento de leishmaniose.
•Esta planta não está na lista de plantas medicinais e/ou fitoterápicos regulamentados pela Anvisa. Por este motivo, algumas informações sobre o seu uso medicinal não foram encontrados.
Outros Nomes Populares: flor-da-paixão, maracujá, maracujá-guaçu, maracujá-silvestre.
Usos: Possui ação ansiolítica e sedativa leve sob o sistema nervoso central.
Parte Utilizada: partes aéreas.
Plantio: Cresce bem em regiões de clima quente e úmido, com solos profundos, bem drenados, férteis e com baixa acidez.
Coleta e Conservação: As folhas só devem ser colhidas quando seus frutos estiverem totalmente maduras. Devem então ser secas ao sol, em local ventilado e sem umidade. Guardar em sacos de papel ou pano.
Princípios Ativos: Glicosídeo cianógeno (cianocarcina), alcaloides e flavonoides (responsáveis pelo efeito sedativo), ácidos hidrociânico, cítrico, málico, pantotênico e tânico, aminoácidos, aminas, açúcares e oligossacarídeos.
Modo de Preparo: Chá por infusão. Utilizar 3g ou uma colher de sopa da planta picada em 150mL (1 xícara de chá) de água. Tomar 1 xícara de chá de 3 a 4 vezes ao dia. Uso somente em adultos.
Observações:
•P. incarnata exerce ação sob os mesmos receptores que medicamentos benzodiazepínicos, como o Diazepam.
Outros Nomes Populares: aguaxima, caapeba, caapeba-do-norte, caapeba-verdadeira, caena, capeba, capeua, capeva, catajé, malvaísco, malvarisco, lençol-de-santa-bárbara.
Usos: anti-úlcera, colagoga e anti-hepatotóxica. Sua raiz também é antioxidante e fotoprotetora.
Parte Utilizada: Raiz e folhas.
Plantio: cresce em regiões ricas em húmus, umidade e sob a sombra de árvores.
Princípios Ativos: Suas folhas possuem óleo essencial (trans-nerolidol, D-germacreno, trans-cariofileno, β-elemeno, óxido de cariofileno, α-selineno e espatunelol), N-benzoilmescalina. O principal princípio ativo da raiz é 4-nerolidilcatecol.
Modo de Preparo: no tratamento de distúrbios hepáticos é usada popularmente macerando as folhas em água, e ingerindo-a em seguida.
Observações:
•Produz maior ou menor concentração de óleo essencial em suas folhas dependendo da sombra a que é submetida em seu desenvolvimento, sendo o melhor nível o sombreamento bem fraco.
•A pariparoba compôs a 1ᵃ edição da Farmacopeia Brasileira em 1926, porém, foi retirada em sua 2ᵃ edição, em 1959. Atualmente, não está na lista de plantas medicinais e/ou fitoterápicos regulamentados pela Anvisa. Sua pesquisa foi feita com base apenas em artigos científicos.
•Foi descoberto que N-benzoilmescalina possui atividade bactericida contra Helicobacter pylori.
Outros Nomes Populares: novalgina, aquileia, atroveran, erva-de-carpinteiro, erva-de-cortaduras, erva-dos-carreteiros, macelão, milefólio-em-ramas, mil-em-rama, mil-folhada, nariz-sangrento, pronto-alívio, sanguinária.
Usos: para falta de apetite, dificuldade de digestão, febre, inflamação e cólicas.
Parte Utilizada: partes aéreas.
Plantio: cresce em solos bem drenados, sem muita umidade. É uma planta de clima subtropical e desenvolve bem no calor e resiste bem à seca. Quando muito grande e vigorosa, pode sufocar outras plantas à sua volta.
Princípios Ativos: óleo essencial (composto de terpenos como o cineol, borneol, pinenos, cânfora e azuleno; derivados terpênicos e sesquiterpênicos, taninos, mucilagens, cumarinas, resinas, saponinas, esteroides, ácidos graxos, alcaloides e princípio amargo); lactonas e flavonoides.
Modo de Preparo: chá por infusão de 1 a 2g das partes aéreas secas em 150mL (uma xícara de chá) de água. Tomar 150mL do infuso, 10 minutos após o preparo, três a quatro vezes ao dia, entre as refeições.
Observações:
•Deve ser administrado apenas em maiores de 12 anos3.
•Não deve ser administrado em paciente portadores de úlceras gastroduodenais ou oclusão das vias biliares; o uso acima das doses recomendadas pode causar cefaleia e inflamação, e quando prolongado pode provocar reações alérgicas. Caso ocorra um desses sintomas, suspender o uso e consultar um especialista2,3.
•O princípio amargo contido nesta planta faz o efeito necessário no tratamento de falta de apetite (anorexia) e dificuldade de digestão (dispepsia). Este componente se liga aos receptores amargos das papilas gustativas, presentes no fundo da língua, resultando em maior salivação e secreção de HCl no estômago, que fará a digestão. O HCl liberado fará parte do processo de liberação do hormônio gastrina, que irá fazer com que maior quantidade do ácido seja excretado e que, quando entra na circulação sanguínea e se liga a certo neurônio, é capaz de abrir o apetite.
Outros Nomes Populares: erva-cidreira, cidrilha e melitéia.
Usos: Antiespasmódico, ansiolítico e sedativo leve.
Parte Utilizada: sumidades floridas.
Plantio: tem bom desenvolvimento em locais com clima temperado; não tolera temperaturas muito elevadas nem muito frias. O excesso de sol forte e a falta de água provocam uma aparência de queimado nas bordas das folhas. Embora sem registros concretos, o florescimento da Melissa ocorre no fim do verão, com o aparecimento de flores pequenas nas colorações brancas, rosa e amarela.
Coleta: as folhas devem ser cortadas, sem o caule, na primavera, e as sumidades floridas no início do verão.
Princípios Ativos: óleo essencial composto dos terpenos citral, citronelal, citronelol, limoneno, linalol e geraniol; taninos (derivado dos ácidos rosmarínico e cafeica), ácidos tritepernóides, flavonoides, mucilagens, resinas e substâncias amargas .
Modo de Preparo: chá por infusão de 2 a 4g (1 a 2 colheres de sobremesa) das sumidades floridas em 150mL (1 xícara de chá) de água. Ingerir 1 xícara de chá de 2 a 3 vezes ao dia, 10 a 15 minutos após o preparo.
Observações:
•Deve ser administrado apenas em maiores de 12 anos.
•Não deve ser utilizado nos casos de hipotireoidismo e utilizar cuidadosamente em pessoas com hipotensão arterial.
Outros Nomes Populares: Alfazema, lavanda-inglesa.
Usos: antiespasmódica, antifúngica, bactericida e calmante. Porém a sua maior utilização é como aromatizador de ambientes.
Parte Utilizada: folhas e flores.
Plantio: Se desenvolve bem em terra úmida e aerada, com bastante luz solar e em clima temperado. O ideal é colocar a sua volta argila ou casca de pino, para manter a umidade. Pedras, com o calor, podem acabar queimando a planta.
Princípios Ativos: óleo essencial (cariofileno, taninos, saponina ácida, princípio amargo e os álcoois geraniol, furfurol, linalol e seus ésteres).
Observações:
Esta planta não está na lista de plantas medicinais e/ou fitoterápicos regulamentados pela Anvisa. Também não foi reconhecida sua espécie, tornando mais difícil a pesquisa por artigos científicos. Por estes motivos, algumas informações sobre esta planta não foram encontradas.
Outros Nomes Populares: pau-de-incenso, falsa-mirra, lavândula, limonete e pluma-de-névoa.
Usos: antifúngico, antimicrobiano. Possui moderada atividade antimalárica.
Parte Utilizada: folhas.
Plantio: Cresce a sol pleno, com solo bem drenado e com compostagem. A quantidade de água regada no inverno deve ser menor que a no verão.
Princípios Ativos: Terpenos (monoterpenos, diterpenos e sesquiterpenos) e flavonoides.
Modo de Preparo: A infusão das folhas pode tratar gastroenterite. A decocção e infusão também podem ser utilizadas para tosse, dores de garganta e como antimalárico.
Observações:
•Tetradenia riparia é uma planta empregada na medicina popular do país africano Ruanda. É conhecida popularmente como umuaravumba, e é cultivada ao redor das casas. As folhas são utilizadas, popularmente, como remédio para doenças como malária, angina, doença tropical de pele, gastroenterites, gonorréia, diarréia, abscessos dentários, dores de cabeça, bronquites, tosses, úlceras, esterilidade feminina, doenças renais, febres e outras. No Brasil, a espécie Tetradenia riparia foi introduzida como planta ornamental exótica e é cultivada em parques, jardins residenciais e hortos, distribuídas pelo Estado de São Paulo.
•Esta planta não está na lista de plantas medicinais e/ou fitoterápicos regulamentados pela Anvisa. Suas informações foram retiradas apenas de artigos científicos.
Usos Populares: ação digestiva, carminativa, antiespasmódica, colagoga. Também possui grande uso na culinária e aromaterapia.
Parte Utilizada: folhas e sumidades floridas.
Plantio: o solo deve ser rico em matéria orgânica e com pelo menos 20 cm de profundidade. Não precisa de muita luz solar.
Princípios Ativos: óleo essencial (que consiste em mentol, mentona, cineol e limoneno), flavonoides, taninos e resinas.
Modo de Preparo: chá por infusão das folhas e sumidades floridas.
Observações:
•O óleo essencial é fotossensibilizante e não recomendado para uso oral, pois doses elevadas têm ação abortiva e hepatotóxica. A essência irrita a mucosa ocular (conjuntiva) e é contra-indicada para gestantes, lactentes, crianças de pouca idade e pessoas com cálculos biliares.
Outros Nomes Populares: guaco-de-cheiro, guaco-liso, guaco-trepador, uaco, cipó-almecega-cabeludo, cipó-catinga, cipó-sucuriju, coração-de-jesus, erva-cobre, erva-das-serpentes, erva-de-cobra, erva-de-sapo, erva-dutra.
Usos: expectorante (gripes e resfriados, bronquites alérgica e infecciosa).
Parte Utilizada: folhas
Plantio: Prefere terrenos arenosos e úmidos, áreas sujeitas a inundações e beiras de rio.
Coleta e Conservação: Pode ser coletada em qualquer época do ano. Deve ser usada a folha fresca ou seca ao sol, longe de umidade, fungos e insetos. Deve ser conservada em frascos bem fechados.
Princípios Ativos: Cumarina, lupeol, ácido α-isobutiriloxi-caur-16-em-19-oico, óleo essencial (sesquiterpenos e diterpenos do tipo caurano), β-sitosterol, friedelina, estigmasterol, taninos hidrolisáveis, flavonoides e saponinas.
Modo de Preparo: Chá por infusão: 3g ou uma colher de sopa da folha picada em 1 xícara de chá de água (150mL). Tomar 1 xícara de chá 3 vezes ao dia.
Observações:
•Pode ser administrado em adultos e crianças.
•Cuidados: seu uso pode interferir na coagulação sanguínea; doses acima do recomendado pode causar vômitos e diarreia; pode haver interação entre o chá e medicamentos antiinflamatórios não-esteroidais.
Outros Nomes Populares: boldo, boldo-brasileiro, boldo-do-reino, alum, boldo-nacional, malva-santa, malva-amarga, sete-dores, boldo-do-jardim, boldo-do-brasil, faso-boldo, folha-de-oxala1, boldo-africano.
Usos: antidispéptico.
Parte Utilizada: folhas, de preferência frescas.
Plantio: é de fácil cultivo; se desenvolve bem em lugares quentes, com temperaturas mais altas e sol pleno; é preferível que o solo seja arenoso e seco, e ter pelo menos 30cm de profundidade, por essa planta ser de maior porte e ter raízes profundas; deve ser protegido de ventos fortes e frios.
Coleta: suas folhas podem ser colhidas o ano todo.
Princípios Ativos: óleo essencial (valenceno e trans-cariofileno), princípio amargo, barbatusina, ciclobarbatusina, cariocal, triterpenóides e esteroides.
Modo de Preparo: chá por infusão de 1 a 3g das folhas secas em 150mL (1 xícara de chá) de água. Tomar 150mL do infuso, logo após o preparo, duas a três vezes ao dia.
Observações:
•Uso apenas em maiores de 12 anos;
•Não deve ser utilizado por gestantes, lactantes, crianças, hipertensos e portadores de obstrução das vias biliares. Também não deve ser utilizado por pacientes em tratamento com metronidazol ou dissulfiram, medicamentos depressores do SNC e anti-hipertensivos;
•Doses do chá deste vegetal acima das recomendadas e utilizadas por um período maior que o recomendado podem causar irritação gástrica.
Outros Nomes Populares: cancerosa, cancorosa, cancorosa-de-sete-espinho, cancrosa, congorça, coromilho-do-campo, espinheira-divina, espinho-de-deus, maiteno, salva-vidas, sombra-de-touro, erva-cancrosa, erva-santa.
Usos: Antidispéptico, antiácido e protetor da mucosa gástrica.
Parte Utilizada: Folhas.
Coleta e Conservação: Suas folhas podem ser coletadas em qualquer época do ano e devem ser secas à sombra e em local ventilado. Guardar em sacos de papel ou em vidros bem fechados.
Princípios Ativos: Taninos8 e flavonoides como triglicosídeo flavônico mauritianina, trifolina, hyperina, epi-catequina, tetraglicosídeo de canferol e galactitol.
Modo de Preparo: Chá por infusão. 1 a 2g (ou 1-2 colheres de chá) das folhas secas em 150mL (uma xícara de chá) de água. Tomar uma xícara de chá 3 a 4 vezes por dia.
Outros Nomes Populares: consolida, consólida-maior, consólida-do-cáucaso, erva-do-cardeal, língua-de-vaca, orelha de vaca, orelha-da-burro, orelha-de-asno, leite-vegetal-da-rússia, confrei-russo, leite-vegetal, capim-roxo-da-rússia, erva-encanadeira-de-osso.
Usos: Cicatrizante, equimoses, hematomas e contusões.
Parte Utilizada: Extrato das raízes8, através de pomadas.
Plantio: Se adapta bem em solos pouco ácidos, ricos em matéria orgânica e bem drenados, com iluminação à meia-sombra ou plena. Prefere clima temperado e frio (no Brasil, esta planta já foi aclimatada na região centro-sul), e tolera secas e geadas. Não suporta a falta de água e tem crescimento exuberante o ano todo, se as condições do clima, solo e água forem favoráveis. Pode ser plantada em qualquer época do ano, mas o melhor período é entre agosto e novembro.
Coleta e Conservação: A colheita é feita de dois a três meses após o plantio, retirando-se toda a parte aérea. As raízes são coletadas na primavera. As folhas são utilizadas frescas e os rizomas, depois de bem lavados e rapados, devem ser picados e postos ao sol para secar. Depois de secos, devem ser guardados em sacos de papel ou vidros bem tampados.
Princípios Ativos: Carotenos, taninos, açúcares, saponinas esterólicas e triterpênicas, esteróis e triterpenos livres, os ácidos clorogênico e cafêico, mucilagem, alantoína, ácido galotâncio, proteínas, colina, glicosídio (consolidina), ácido oleanólico e mais de uma dúzia de alcaloides pirrolizidínicos (principalmente sinfitina, equimidina, elicopsamina, senquirquina e sinfitocinoglossina).
Observações:
•A Anvisa restringe o tempo de tratamento com o extrato das raízes de Confrei para no máximo 4 a 6 semanas por ano. Deve ser utilizado apenas em uso tópico, em lesões localizadas.
•Alguns resultados de ensaios farmacológicos registram que o extrato aquoso das folhas possui atividade inibitória do desenvolvimento de tumores mamários. Entretanto, seu uso interno por doses altas e/ou por tempo prolongado pode ocasionar o aparecimento de tumores malignos no fígado, nos brônquios ou na bexiga1. O mecanismo de ação para este efeito carcinogênico ainda não é conhecido, porém, em um estudo comparando confrei com Riddelliine, uma substância alcaloide pirrolizidínica e cancerígena, mostrou que a mutagenicidade dos dois e a eficácia em causar tumores no fígado é muito similar, sendo, em certos aspectos, o confrei muito mais hepatotóxico do que Riddelliine.
Outros Nomes Populares: erva-de-lagarto, aruca, cipó-cruz-do-norte.
Usos: antitumoral.
Parte Utilizada: folhas.
Plantio: tem origem no cerrado, crescendo portanto em solos arenosos, ácidos e com pouca matéria orgânica.
Princípios Ativos: poliacetileno, ácido anísico, glicosídeo do ácido p-hidroxibenzóico, sitosterol e germacranolídeos (como arucanolídeo).
Observações:
•O Arucanolídeo é um tipo de germacranolídeo, e é a substância principal do cipó cruz com ação antitumoral, fazendo com que as células tumorais sejam induzidas à apoptose.
•Esta planta não está na lista de plantas medicinais e/ou fitoterápicos regulamentados pela Anvisa. Por este motivo, algumas informações sobre o seu uso medicinal não foram encontrados.
Outros Nomes Populares: cavalinha-gigante, cola-de-cavalo, erva-canudo, milho-de-cobra, rabo-de-cavalo, rabo-de-raposa, cauda-de-raposa, rabo-de-cobra, lixa-vegetal, rabo-de-rato, erva-carnuda, cana-de-jacaré, cauda-equina.
Usos: diurético; trata edemas causados por retenção de líquido.
Parte utilizada: caules estéreis*
Plantio: não possuem sementes, se multiplicam por rizomas e esporos. É nativa de áreas pantanosas de quase todo o Brasil, e por ser agressiva e persistente, deve ser contida para
evitar que se transforme numa planta daninha.
Coleta e Conservação: A melhor época para o corte é no verão, onde se tira apenas a parte aérea (caules estéreis). Após o corte, deve-se secá-la ao sol e em local seco. Armazenar em sacos de papel ou de pano.
Modo de preparo: Chá por infusão: 1 colher de sopa da planta picada em 150mL (1 xícara de chá) de água, e tomar 1 xícara de chá de duas a quatro vezes por dia. Uso somente em adultos.
Observações:
•Segundo a literatura popular, Equisetum spp. também pode ser usado no tratamento de próstata, resfriados, gripes, herpes, baço, tísica, bronquite, hidropisia, esclerose, hemorróidas, aftas, feridas, contusões, câncer, osteoporose, coração, espinhas, nervos, gota, leucorréia, tumores cancerosos, problemas menstruais, fraturas, problemas nos dentes, inflamação no fígado, intestino, olhos, ouvidos, garganta, falta de memória e visão, amidalite, gengivite, chulé, caspas, sudorese excessiva, problemas de pele e hipertensão. Porém, estes usos ainda não foram comprovados cientificamente.
•É considerada tóxica ao gado bovino e equino. Devido à presença de sílica, ao ser ingerida, este vegetal causa diarreias sanguinolentas, aborto e fraqueza1. Já para o gado equino, a cavalinha é tóxica por conter substâncias com efeito antitiamínico, causando deficiência de tiamina (vitamina B1) no organismo dos cavalos. Os sintomas causados são de perda de peso e do controle muscular, podendo levar o equino à morte por consequência do emagrecimento.
* A cavalinha é uma planta pteridófita e possui dois tipos de caule: fértil e estéril. O caule fértil é avermelhado, curto, não possui clorofila, apresenta em sua extremidade uma espiga produtora de esporos. Ele surge na primavera, e não é utilizado para fins medicinais. Depois que os caules férteis murcham, nasce o estéril. O caule estéril é verde, longo, canelado, cheio de nós e possui muita ramificação, como na imagem ao lado.
Outros Nomes Populares: carqueja-do-mato, bacárida, cacália, condamina, quina-de-condamine, tiririca-de-babado, carqueja-amargosa, carqueja-amarga, bacanta, bacórida, carque, cacália-amarga, vassoura, vassoura-de-botão.
Usos: Dispepsia (distúrbios da digestão)2. Seu extrato metanólico apresenta potencial como adjuvante no tratamento da obesidade e de dislipidemias, uma vez que inibe a atividade da enzima lipase pancreática.
Parte Utilizada: haste florífera.
Plantio: Tolera bem solos ácidos e pobres, chegando, nestas condições, a atingir altas infestações que comprometem o crescimento das pastagens nativas, e a se tornar uma planta daninha de terrenos baldios e beira de estradas. Cresce também sob luz difusa e geadas. Floresce intensamente durante o verão.
Coleta e Conservação: Cortar apenas as hastes deixando as raízes, para o vegetal não morrer. Secar em local ventilado, sob o calor do sol. Após a secagem pode ser transformada em pó, e ser armazenada em vidros bem tampados.
Modo de Preparo: Chá por infusão. 2,5 colheres de chá da planta picada em 1 xícara de chá (150mL) de água. Tomar uma xícara de chá de 2 a 3 vezes por dia. Uso somente em adultos.
Observações:
•Publicações populares indicam a carqueja para o tratamento de úlcera, diabetes, malária, anginas, anemia, diarreias, garganta inflamada, vermes intestinais, febre, esterilidade feminina e impotência masculina. Destes, foram comprovados cientificamente as propriedades hepato-protetoras, digestiva, antiúlcera, antiácida, anti-inflamatória, analgésica e na redução dos níveis de açúcar no sangue.
•Não deve ser utilizado em grávidas, pois pode promover contrações uterinas Evitar o uso concomitante com medicamentos para hipertensão e diabetes. O uso pode causar hipotensão.